domingo, 31 de março de 2013

Páscoa e sua realidade...


Páscoa...

A tradicional festa dos hebreus...

Sua razão e finalidade visam refletir e rememorizar o grande fato e marco na trajetória daquela nação escolhida, não em razão de sua grandeza, mesmo porque era a menor dentre todas as nações. Escolhida em razão da livre vontade daquele que faz todas as coisas segundo o seu propósito.

Rememoriza o êxodo. A saída do Egito e de toda injustiça opressiva desta nação. A saída de uma identidade descaracterizada em função de uma tirania, de uma imposição. Tal era essa descaracterização que em determinados momentos os próprios hebreus almejaram retornar àquele estado de total nulidade. Tinham dificuldades com o novo, com a liberdade e com a invisível pessoalidade de Deus, embora se mostrasse presente e providenciador.

Não era uma mera saída. Não era apenas sair. Havia um novo rumo, uma nova busca, um novo viver. Canaã não era o objetivo máximo, assim como determinada benção que esperamos de Deus não é o objetivo máximo dEle. Mas saíam para o conhecer. O conhecer daquele que não conheciam, o Eu Sou. Aquele que se permitiu ser notado por meras coisas inanimadas tais como tarbenáculo, arca, altar, nuvens, fogo, água. Seu caminhar é realmente pedagógico e paciente. Ele é aquele que desce ao nível dos homens, pois seu anseio é dar-se a conhecer, não como um egocêntrico tirano da vida, mas porque nEle tudo subsiste, sobretudo, a humanidade. NEle existimos, vivemos e nos movemos. Conhecê-lo, nos faz conhecer a nós mesmo. Sem Ele não há identidade, significado, caminho, sentido, vida. Nele tudo SUBSISTE.

E lá vai Ele. Virou uma nação de “pernas por ar”, em razão de sua própria dureza, mas o fez voltando seu amoroso e fiel olhar para o seu rebanho, no momento, meramente explorado.

Enfim, Ele orienta o seu líder: “celebrem a Páscoa!”. Ovelha assada por inteira, sangue no umbrais, pães sem fermento e ervas amargas. Se os filhos perguntassem deveriam responder que se tratava desta memorável história: o êxodo (saída).
O Senhor disse: “façam essa festa perpetuamente” – Ex 12.17.
Anos depois, Jesus celebrando esta festa com seus íntimos, quebrando protocolos e tradição, suspendeu um pão em sua mão e disse: “isso é o meu corpo que é dado por vós, comei...”. Já era costume ouvir coisas estranhas de Jesus, mas essa era diferente. Isto é o meu corpo dado por vós, comei. O que é isso? Uma nova páscoa está começando. Uma nova “saída”. Mas essa não era geográfica. É uma “saída”. É uma saída da descaracterização. Não de um Egito em que estamos, mas do egito interior. Paulo disse que o Espírito de vida nos libertou da lei do pecado e da morte, que antes operara nos membros da carne. O Egito do qual somos livres é o Egito interior, são as paixões que subjugam a consciência e a domina levando-a a fazer a sua vontade, e assim, descaracterizando o ser. A Páscoa agora celebrada é a páscoa do “faço nova todas as coisas”. Sim, há presença de sangue, não nos umbrais, mas no ser, de forma que em nós não opera a morte, mas a vida. Há cordeiro, mas que agora é Pão da vida. As ervas amargas, são dispensadas, pois a amargura não deve ser lembrada, e sim avançar para o que está adiante. O fermento que deve ser lançado fora, não é mais o pó químico, mas toda forma de maldade e malícia. O que predomina é a verdade como Vida em Cristo e a sinceridade de vida no caminho.

Agora Páscoa, não é somente celebrar o que chamamos de Ceia do Senhor, mas, páscoa é viver a Ceia. Viver o novo ser livre dentro de si. O ser que caminha, não mais escravizado no Egito do pecado, o ser que mesmo lembrando-se das mesas do Egito, não terá mais prazer nele e muito menos de lá voltar, pois, sabe-se que lá, é meramente explorado e impedido de se descobrir como um ser livre em Cristo, o Cordeiro que tira e continuamente tira o pecado do mundo. E esse mundo é, senão, a preciosa humanidade, amada e querida por Ele. E, por que não pensar no mundo criado e submetido a inutilidade? Sim, Ele há de redimir e reconciliar todas as coisas pelo seu sangue e estabelecer paz. Estamos voltando. Voltando para Ele, sendo como Ele na liberdade da graça da nova Páscoa que adentra nosso ser e faz festa.

Feliz páscoa! A páscoa da vida, do significado, da bondade, do amor, do novo e do retorno.

Naquele que se importou com nossa liberdade e identidade.

Wellington Miguel
Esmeraldas/MG

terça-feira, 26 de março de 2013

O Evangelho da GRAÇA


“Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo... para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” – I Co 2.2-5

O simples evangelho da graça. É assim como é. Simples também foi aquele que começou a anunciá-lo: Jesus de Nazaré. Chegaram até perguntar se alguma coisa boa viria do pequeno povoado de Nazaré. Mas é assim que ele é, simples, o evangelho da Graça. Valoriza-se muito em nossos tempos o perfume, não em razão de seu aroma, mas de seu frasco. Porém, o gracioso perfume do evangelho não se comprimiu em um frasco aparente a fim de ser atraente aos olhos da infantilidade validação da sociedade. Antes, ele estava naquele de quem nada esperavam.

A Palavra diz que temos, porém, este Tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. Veja que, a excelência não está no vaso, e sim no conteúdo. O vaso é meramente de barro, simples. Isso para que  se evidencie a beleza e singeleza do evangelho. O evangelho em si é excelente, eficaz, poderoso e livre.

Infelizmente a Igreja “Evangélica” caiu. Caiu no erro. No erro de “acrescentar” ao evangelho o dispensável. Por isso ela pouco faz, embora pareça que se faça. Ela caiu na loucura dos suntuosos templos. Ela diz, é porque estamos crescendo. Eu pergunto: será? Noutro momento, a Igreja também diz: “é para atrair o povo, sabe, hoje em dia eles olham isso”. A Igreja caiu. Caiu no erro do seu tempo. O erro de valorizar as aparências. Tornou-se incrédula. Professa Deus, mas não crê no evangelho. Diz que está na Rocha, mas quer ornamentá-la. Tornou-se incrédula na eficácia do simples evangelho.

A eloquência também é outro frasco, tentando conter o evangelho, mas o esconde. Os que fazem isso simplesmente tornam-se frascos que nada permitem ver o que está lá dentro. O importante é o frasco. Ele impressiona, faz admiradores e idólatras. Seus seguidores dizem: que “palavra”! Nada viram se não frasco. Para esse astro, o importante, é a ”mensagem” e não o povo.

Não se contentam. Criaram outros frascos: “as mágicas curandeiras e milagrosas”. Nesses ambientes não é conveniente ler o evangelho, pois, pode ser que atrapalhe. Na verdade o evangelho nada tem a dizer sobre tal palhaçada. Mas, para parecer coisa de “crente”, utilizam o evangelho dizendo o que ele nunca pretendeu dizer. Duro será o juízo para esses mercenários, caso não se arrependam.

O evangelho é simples. Apesar de sua grandeza, ele cabe num encontro de dois ou três. Ele cabe em lugares simples cedido gentilmente por discípulos que entenderam o significado do Reino. O evangelho da graça cresceu num ambiente que não dependia de nada, simplesmente  de vasos feitos do pó. Avançou não em função de meios que temos como a tecnologia, transportes e meios de comunicação. Avançou segundo a eficácia de si mesmo. Ele é poder de Deus. O evangelho da graça se estende através das raízes que cria nos corações e se alastra de forma natural mediante a continuidade da simples proclamação daquilo que é o simples EVANGELHO DA GRAÇA. Paulo disse: “porque, partindo de vocês, propagou-se a mensagem  (o evangelho) do Senhor na Macedônia e Acaia” – I Ts 1.8

Cansei amigos!

Cansei de dar satisfação para aqueles que me perguntam: “quantos membros têm na sua igreja?”. Não sei quantos têm e não importo com isso, se tão somente estiverem crescendo na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Querem medir meu ministério pelo número, enquanto que a Palavra diz que “o que se requer dos despenseiros é que sejam achados fiéis” – I Co 4.2. Quero apenas ser achado fiel. Fiel a “clara exposição da verdade, renunciando aos procedimentos secretos e vergonhosos, não usando de engano, nem torcendo a palavra de Deus” – II Co 4.2. Antes, quando estiver entre eles (o povo), não irei com discurso eloquente, nem com muita sabedoria, mas os farei saber o evangelho da graça com toda a sua forma cristalina, eterna, inesgotável, entretanto, simples – I Co 2.1-5
Ao assumirmos essa postura, possivelmente também, haveremos de carregar o vitupério de Cristo, mas no Dia Dele, o Supremo Pastor, “receberemos a imperecível coroa da GLÓRIA” – I Pe 5.4. Pois, a coroa, é para aquele atleta que compete de ACORDO com as regras... – II Tm 2.5

Concluindo...

Somente assim, o evangelho da Graça atuará como poder de Deus para salvação...

Tolerem-me na minha angústia e na minha simultânea alegria, pois resulta de minhas reflexões como caminhante do Evangelho....

Forte abraço!

Naquele que é a verdade e o caminho...

Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso

terça-feira, 19 de março de 2013

O CRISTO DO POVO E O CRISTO DE DEUS

“Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? – Mt 16.15

Todo o esforço de Jesus na caminhada foi e é, fazer conhecido a pessoa do Pai. Ele mesmo disse: “eu revelei teu nome àqueles que do mundo me deste...” – Jo 17.6

É preciso lembrar que Jesus não fez isso de qualquer maneira, ele fez isso com cuidado e fidelidade, para que não se repassasse um conhecimento distorcido de Deus-Pai. O conhecimento que Jesus passava acerca do Pai era tão legítimo que ele afirmou: “Quem me vê, vê o Pai...” – Jo 14.9. Ou seja, Eu sou a fonte original pelo qual se conhece o Pai. E porque Jesus dá importância a tal cuidado e fidelidade? Por que se importa ao ponto de interromper a caminhada e questionar aos seus discípulos “e vós quem dizeis que eu sou”?

Interessante notar que antes ele pergunta: “quem diz o POVO ser o Filho do Homem?” – Mt 16.13. E eles respondem: “uns dizem: João Batista, outros, Elias, e outros: Jeremias ou algum dos profetas”. Logo a perguntam vem: “e vocês quem dizem que eu sou?”  

Faço a nós essa pergunta: que Jesus nós conhecemos? O Jesus do povo? Quem é Jesus do povo? É o Jesus conhecido de outras fontes, é o Jesus comparado, é Jesus da experiência do outro, é o Jesus da teologia perversa e corrompida, é Jesus dos meus interesses, é o Jesus construído dentro de seres humanos tomados pela sutil presença do pecado, é o Jesus do falso evangelho e tido como verdadeiro. Certamente, é um Jesus ilegítimo.

E por que Ele se importa em saber quem as pessoas dizem quem é Ele? Porque um conhecimento ilegítimo de quem Ele é pode comprometer a libertação de uma pessoa. Pode comprometer a oportunidade de vivenciar a indescritível alegria da liberdade, da maturidade e restauração do caráter caído e desintegrado pelo pecado. Pode impedir viver e desfrutar da Graça oferecida pelo verdadeiro evangelho em Cristo Jesus.  Pois, assim está escrito “...vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e revestiram do novo, O QUAL ESTÁ SENDO RENOVADO EM CONHECIMENTO, À IMAGEM DO SEU CRIADOR” – Cl 3.9.  

Compreendemos, então, não somente o zelo do Senhor, mas também dos apóstolos em conhecer o legítimo Jesus mediante o simples e genuíno evangelho da graça, e assim, dizer mediante a proclamação e em suas cartas que Jesus é o Cristo de Deus, em quem temos a redenção – Ef 1.7

Que Cristo conhecemos e proclamamos? Quem será capaz de dizer quem Ele é? O seu precioso evangelho. Ali está de forma límpida e clara, revelado o Cristo de Deus. O evangelho de Cristo Jesus, capaz de apresentar todo homem PERFEITO EM CRISTO – Cl 1.28

Não se deixe tentar a seguir um Jesus que não seja este, o Jesus do Evangelho, o Jesus, que em troca da alegria que lhe fora proposta, suportou a vergonha da cruz, para nos remover da vergonha do pecado e nos dar junto dEle a preciosa VIDA Eterna. Ele mesmo disse: “a vida eterna é esta: que te CONHEÇAM, o único Deus VERDADEIRO, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” – Jo 17.3

Que nosso Jesus seja, senão, o legítimo Jesus dos Evangelhos, o Jesus do relacionamento, cura e salvação.

Naquele que nos chamou a comunhão com seu Filho Jesus!

Wellington Miguel
Servo do Senhor e vosso

O SI MESMO E A CRISE DE IDENTIDADE


“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo...” – Mt 16.24

O si mesmo é algo que sou que nunca deveria ter sido.

O si mesmo é algo que tenho sido e não o que devo ser.

O si mesmo é tudo aquilo que tenho sido e que é contrário ao que tenho que ser.

O si mesmo é alguém que não se enxerga como aquele alienado fariseu de Lc 18.11,12 que diz: “Deus eu te agradeço porque não sou como os outros homens...”. O si mesmo, além de não se enxergar, ver no outro aquilo que ele é em pior estado. É aquele que ensina os outros, mas não ensina a si mesmo.

O si mesmo é tão confuso que ele chega a dizer “um dia eu vou ser alguém”. Assim diz, porque o seu si mesmo é formado a partir de das formas deste mundo. O alguém que ele quer ser é determinado pelos ditames do seu tempo.

O si mesmo é uma paixão, é algo que toma e domina a consciência e anula aquilo que devia ser dizendo que devo ser aquilo que eu não deveria ser.

O si mesmo é tão embaraçoso que é impossível seguir o caminho do discipulado se ele não for abandonado. Portanto, este é o primeiro critério para continuar na caminhada da Graça.

Negar-se o si mesmo é negar uma alienação, uma forma, a forma deste mundo com tudo aquilo que ele chama de “valor”, é negar o engano tido por verdade, por status, por vitória, por esse tal “de um dia ser alguém”. Negar-se a sim mesmo não pode está reduzido ao negar determinados pecados e vontades, mas negar uma filosofia diabólica construída para determinar que tais práticas (pecaminosas) são um exercício da liberdade, uma filosofia diabólica que defende o relativismo, a fragmentação da verdade, que defende sucesso a partir do que tenho, que anula o ser, que negocia a solidariedade e a partilha, que cultiva corações pretensiosos, que prenuncia o livre arbítrio, mas escraviza consciências. Negar o si mesmo é nadar correnteza acima, é caminhar na contramão deste mundo convergido para si.

Negar-se a si mesmo, é trilhar um caminho em busca da descoberta do “eu”, o que devo ser que não seja o esquizofrênico e paranóico “si mesmo”. 

Cansados no caminho, um suave convite nos é feito: “vinde a mim todos os que estais cansados e eu vos aliviarei, tomai o meu jugo e aprendei de mim...”. Aprendei o “quem devem ser”. Anelamos pela felicidade, mas a buscamos pelo lado de fora, mas como ela não está lá, fadigamos na busca. Daí a necessidade de dEle aprender.
Como caminhantes, seguimos a Ele por uma via tão comum e simples, a via do Evangelho. Um Evangelho que não se reduz a meras estruturas teológicas e filosóficas, mas que com sua simplicidade e poder, adentra o ser do alegre receptivo da Palavra. Ali, no silêncio do ser, o Evangelho, a luz da glória de Cristo, irrompe fazendo com que o si mesmo com suas densas trevas do engano e vaidade despareçam. Começa a ser recriado o novo, o “eu” como identidade, como alguém, alguém que agora é pleno, não em razão das esquizofrênicas formas deste mundo, mas é pleno pelo o que ele é: “criação de Deus em Cristo Jesus”. O Reino e sua justiça é a sua primazia existencial, e descansa, não na ociosidade do irresponsável, mas descansa nAquele cuja presença é real e cujo governo é ativo no mundo, no cuidado e providência. Para este o viver é Cristo, morrer é lucro. A sua pátria está nos céus de onde ele espera o Senhor. Como peregrino e forasteiro, caminha em sua missão de evidenciar a realidade de Cristo no mundo em sua vida, que não mais é determinada pelas fantasias e paixões, mas pelo o que ele simplesmente é: Cristo nele. Não o confuso si mesmo, mas o alguém em Cristo, o ser em Cristo, o viver em Cristo, sendo assim, cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio dEle, para glória e louvor de Deus.

Que não sejamos o alienado “si mesmo” preso nas molduras deste século, mas o “eu” nEle, em Jesus, onde está nosso significado, razão existencial, felicidade, inefável prazer, VIDA...

NEle, o Amado!

Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso