segunda-feira, 29 de julho de 2013

NÃO SE DEIXEM ENGANAR...





DEUS NÃO É TRATADO COM DESPREZO...

...pois, o que o homem semear isso colherá - Gl 6.7-9


Apesar de toda forma de engano presente no sistema, a maior fonte de engano na existência é o autoengano. Sim, somos atropelados pelas exigências do nosso tempo e, em cada tempo e geração há as suas exigências e pressupostos que são estabelecidos a partir dos quais somos definidos como “alguém”. Sendo que ser “alguém” não se é determinado pela estrutura social, econômica, política, moda, etc., mas sim pela matriz da qual nos originamos. Essa matriz é Deus. A partir dEle o meu “alguém” se reconhece, se encontra, se é. Note que, quando o nosso “alguém” procura se determinar a partir de qualquer outra matriz, seja ela determinada pela política, economia, cultura, moda, religião, etc., nunca nos percebemos numa contínua satisfação. Insaciáveis, vamos conectando-nos as inúmeras outras alternativas, numa paranoia busca pelo nosso “alguém”. Esse é um tipo de engano, vem de fora. Então, não se deixem enganar...
Na verdade essa busca paranoica se dá, não em função do não saber de Deus, pois de Deus se sabe, não porque Ele é anunciado pelas religiões, pelos amigos, pela família, mas porque o nosso próprio ser O reconhece. A Palavra diz que as “exigências da Lei de Deus estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos...” (Rm 2.14-16). O que se evidencia no ser humano é um autoengano que se apropria do engano. O que isso quer dizer? Quer dizer que mesmo reconhecendo Deus, opto por não fazer caso dEle. É um auto engano, vem de dentro. É o que Paulo está dizendo em Gl 6.7: “Não se deixem enganar (desviar da verdade): de Deus não se zomba (tratar com desprezo)”.
                Quem se auto engana (que vem de dentro), acaba-se por apetitar nos pratos do engano que vem de fora, uma vez que se auto enganou, na verdade, desprezando aquele de quem ele é derivado.
                Dessa forma, desprezando o Totalmente Outro, todo o seu pendor, ou seja, sua inclinação, dar-se-á para a “carne”. Dar-se-á para a insaciabilidade vontade de sua natureza humana caída. Embriagar-se-á do “vinho” que leva a dissolução, simplesmente se acabando no desequilíbrio de sua estupidez. Diria Paulo que isso é semear para a carne. Sua inevitável colheita será a destruição (ruína).
A complexa natureza humana foi criada para viver em prazer. Quando esse deleite é satisfeito naquilo que é Pão para ela, então se aquieta. Quando não se satisfaz no que não é pão, então repetidas doses se “tornam necessárias” criando um ciclo vicioso viciado de se ser.
Deus não se propõe. Ele não é uma alternativa na existência. Ele é a origem. Necessário. Qualquer postura diferente a isso é desprezo a Deus e entrega a si mesmo. Na verdade, não existe o não optar por Deus, mas o rebelar-se, o enganar-se. Assim, viver é um ato de semeadura. A forma como determinamos viver, isso será a forma como semeamos no caminho da vida.
Quem semeia para a sua carne, colherá destruição, diz o apóstolo. Sim, o que semeia para a carne já desprezou o Criador, e por consequência, já se auto desprezou e haverá de desprezar o seu próximo. Semeando para a “carne”, vai alimentando-a para a loucura de uma vida sem consciência de amor, misericórdia e bondade. Posto que, as obras da carne, ou seja, seus feitos nada mais são do que, transtorna-me e transtornar o outro. Por exemplo, na imoralidade sexual (gr. pronéia), além de pecar contra o meu próprio corpo estou lesando o do outro, além dos transtornos emocionais que se desencadeiam – Gl 5.19I Ts 4.3-6.
É uma semeadura destrutiva. Traz fins danosos para quem não se arrepende, podendo até comprometer sua eternidade, pois quem assim vive, também despreza a perenidade da vida.
Porém, a quem semeia para o Espírito, colherá vida eterna. Ora, quem semeia para/no Espírito haverá de colher o que dEle frutifica: o amor e suas derivadas ações. Visto que, do amor como caráter formado-implatado no ser, o ser se será santo, pois o amor não prática o mal contra o próximo. Portanto, amando o próximo, obviamente, já terei amado e amo a Deus. Sim meu irmão(a), para esses, vida LONGA, infindável. Tornam-se dignos pela graça. Pelo que semearam no Espírito que neles habita, colheram Graça em bondade para com o próximo. Logo, que se conclui? Sim, esses reconhecem e conhecem o Criador, não O trataram com desprezo, se responsabilizaram no caminho da vida e vivem com a gratidão do serviço e amor.
Os que semeiam para o Espírito são os que não se cansam de fazer o bem, pois viver é fazer o bem. Esses são os que assim se satisfazem. Satisfazem-se, ainda que a colheita não tenha chegado, embora, seja certo que ela virá.
A vida é uma oportunidade de se fazer o bem em amor que faz sem perceber e sem contar; alegria como forma de disposição; em paz para a paz que reconcilia e se mantém; em paciência, pois todos, inclusive nós mesmos, caminhamos em aprendizado; em benignidade sendo a doçura a melhor forma de se tratar o ser humano; em bondade como forma de ser; em fidelidade-compromisso de quem ainda que seja falho, está ali; em mansidão de quem não se deixa ofender, mas exercita-se na misericórdia e compaixão e, em domínio próprio de quem não se entrega aos impulsos do seu ser, tendo sempre em mente, que caso contrário poderá ferir alguém.
Essa é a nossa matriz. Onde está isso senão no Pai e no Espírito, de quem nascemos de novo para a novidade de vida?
Longe de nos autoenganar tratando com desprezo a Deus, antes, declaramos ao nosso interior que se aquiete e veja que o Senhor é Deus, que sua razão existencial Lhe pertence e que em amor se submete a uma longa semeadura pelo chão da Vida, semeando para/no Espírito, em Cristo. Assim se é, não porque está imposto, mas porque se é, como a naturalidade de um ramo que não dá fruto por si mesmo.

No Caminho, procurando semear para Ele,


Wellington Miguel
Discípulo


Esmeraldas, 28 de julho de 2013

13:37h

segunda-feira, 22 de julho de 2013

É PRA COMER. NÃO É PARA CONHECER O CARDÁPIO!



Sem “teologia” e sem “doutrina” de nenhum tipo, a simples leitura do Evangelho nos deixa saber o que é bom para a vida, e como também se deve viver, sem que isto demande nenhuma “explicação” especial àquele que deseja se beneficiar da Boa Nova.

Sim, a Boa Nova não tenta convencer a priori. Ela simplesmente diz: “Me experimente. Se você provar, você saberá que é verdade. Não antes. Não por nenhum outro modo ou meio.”

O convencimento da Boa Nova vem da realização do que é Bom. É simples assim.

Um “evangelho” que seja um pacote de crenças e doutrinas, e uma “embalagem de Deus” segundo algumas teologias, serve muito à criação de um espírito religioso, e que se arroga a ser melhor não por causa do bem que realize, mas em razão da suposta superioridade dos valores de conduta apregoados.

“Eu vim para que tenham vida; e vida em abundância”—jamais poderá ser substituído por “Eu vim para que vocês fiquem sabendo qual é o conjunto da verdade, e, assim, sejam superiores aos demais homens ignorantes”.

O único modo de aferição da verdade do Evangelho só acontece na vida, não porque alguém ganhou uma discussão teológica contra um herege, mas sim pelo resultado da existência, se é plena de vida, conforme a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo.

Desse modo, o Evangelho não tenta explicar nada, mas convida a uma confiança que é fruto de se ter tido um toque da Graça, e que se transforma numa atração, e que se entrega como rendição, gerando a resposta do “seguir” a Jesus.

Assim, aquele que se entrega a Jesus não recebe um pacote de explicações, mas sim aceita seguir porque foi convencido pela experiência do bem do Evangelho, e que tocou o indivíduo de alguma forma, fazendo-o provar que “o Senhor é bom”.

Portanto, tal pessoa não fica preocupada em “entender Deus”. Sua felicidade está em que Deus a entende. Assim, ela caminha sem querer saber o que Deus está planejando, mas apenas o que Jesus propõe como caminho. E, para ela, cada coisa não é passível de uma explicação, mas sim de uma resposta própria. Desse modo, se impotente, ela ora; se abastada, ela agradece; se visitada pela calamidade, ela confia no bem oculto no amor de Deus; se é objeto de perseguição, ela exulta; se milagres acontecem, ela se alegra; se não acontecem, ela se entrega ao milagre da confiança...

Enfim, tal pessoa, aprende o “como”, não o “porquê” das coisas. Aliás, ela até poderá aprender o “porquê” desde que, antes, tenha a coragem, em fé, de viver conforme o “como” do Evangelho.

É o “como” do Evangelho que explica o seu “porquê” — isto quando explica. E, normalmente, a “explicação” nunca é “lógica pela lógica”, mas sim algo que se experimenta como bem interior, inexplicável, e que convence o coração acerca da verdade pela paz que promove no interior, e, cujos frutos se manifestam como “modo” de caminhar.

Não é à toa que Paulo diz que é a “bondade de Deus que conduz ao arrependimento”. Sim, no Evangelho, tudo o que se estabelece como genuíno e duradouro decorre da experiência da bondade de Deus.

É, portanto, a experiência de Deus como bem para o ser aquilo que muda a mente, que provoca a metanoia, que gera o arrependimento — a mudança da mente, e, por conseguinte, de caminho.

Como eu disse no início, o Evangelho não oferece explicações, mas diz como se deve viver. E é desse “como”, que não é um manual de condutas, mas sim um modo de ver, de ser, de valorizar, de desvalorizar, de reagir, de agir conforme princípios e de enfrentar a existência—que vem o crescimento da fé.

Por isto é que no Evangelho as coisas caminham de fé em fé; assim como também crescem de experiência em experiência (Rm 5:1-5). E no final não se fica entendendo tudo, mas se experimenta o amor de Deus, e que traz consigo uma esperança que não nos deixa jamais confusos acerca de nada, muito menos acerca das tribulações e dos absurdos da existência.

Somente aquele que se abandona e pratica o Evangelho em fé, e conforme toda a confiança é que experimenta a Verdade conforme Jesus; visto que a Verdade só se faz verdade para o indivíduo, se for por ele provada, conforme Jesus (João 7: 17).

Daí o escritor de Hebreus advertir quanto a se “ter provado os poderes do mundo vindouro” e ter deixado para trás o que se sabe por experiência do coração, conforme a experiência da Graça.

O grande mal que se pode fazer a si mesmo, segundo o Evangelho —e sem explicações doutrinário-teológicas— é experimentar o seu bem, e, depois, trocá-lo pela religião das normas, mas que não produz bem real a vida; antes pelo contrário, seca-a dos bens originais e dá a ela a presunção da verdade na forma de religião. Aliás, esse é o espírito inteiro da Carta aos Hebreus.

A “Queda” se consumou na experiência, não na especulação acerca da verdade ou da mentira, do bem ou do mal. “Tomou do fruto e comeu”—é o que se diz. Assim foi com o primeiro Adão, e, muito mais, é assim concernentemente ao segundo Adão: Jesus. “Quem comer tem a vida...quem de mim se alimenta, por mim viverá...”

Ora, assim como o pecado se fez consumar pela experiência, assim também o bem do Evangelho se faz conhecer pela experiência da fé, e que dá acesso ao fruto da Árvore da Vida.

“Tomai e comei!” — é assim no Evangelho.


Caio

Brasília

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A REALIZAÇÃO NA CONTRAMÃO EXISTÊNCIAL


 

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que lhes façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois está é a Lei e os Profetas” – Mt 7.12

                A Palavra é praticamente uma proposta de contramão existencial. Ou melhor, a existência se desconverteu de seu fluxo natural, sendo, portanto, acrítica em relação a si mesmo conforme o Evangelho que diz que assim é “estar nas trevas e andar nas trevas; não se sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram”.

                A sociedade moderna-tecnológica, de modo geral, segue hasteando sua bandeira consumista e hedonista, posto que por essas vias, se definem o realizar. Entretanto, quem assim procede nem se dá conta de que, todavia, por estas vias, não se chega ao seu ideal: felicidade. Pois, ela, a felicidade, não se vende pela via da paranoia moderna. A nobreza com que ela é não se reduz a essa baixa escala. Em sua nobreza, não se dispõe a poucos ou alguma elite ou grupo. Sua nobreza é caracterizada por outras vias pelas quais ela se dá e, na verdade, ela não se dá, antes, ela é cultivada no chão do ser e em cada ser humano. Portanto, não a encontramos fora de nós.

                A Palavra, porém, em sua liberdade e graça, aponta esse caminho, aliás, em suma, ela simplifica todo o universo de sua grandeza. Ela diz que o cumprimento da Lei e dos Profetas, ou seja, a compreensão de tudo o que Palavra pormenoriza e explica repetidas vezes é que toda a realização humana se dá quando me proponho, em tudo, realizar o outro. Fazer aos outros o que queremos que se nos façam. Duro é esse discurso. E por quê? Porque estamos condicionados a outras coisas: sermos servidos, sermos reconhecidos, sermos admirados, sermos lisonjeados, sermos recompensados. Não é no simples serviço e bem do outro, mas nos serviço a mim e o bem a mim. Posso até fazer pelo outro, mas isso tem que ter mão dupla. E, num contexto antropocêntrico como o nosso isso é como encontrar grão de arroz perdido na areia do mar.

                O convite da Palavra é sermos como o Pai. Olhe pra Ele. Veja como ele trata a humanidade. O sol e chuva são para todos, o pão chega a mesa de todos (embora muitos são privados da abundancia em função da desigualdade social). 

Então, me realizo não quando é feito por mim, mas quando faço pelo outro, esta é a Lei e os profetas.

“Assim”, quer dizer da mesma forma, ou seja, o Pai dá boas coisas aos seus filhos que embora sejam maus, assim e da mesma forma, devo fazer, ainda que o outro não o faça por mim. Então, o meu fazer não está condicionado ao merecimento do outro, mas o simplesmente fazer pela simples razão de ser bom, posto que, ser bom, deva ser a forma como eu vivo. Esta é a Lei e os profetas. E faço porque, assim sendo, realizo o cumprimento de toda a exigência da Lei e dos profetas: SER BOM.

E, bondade incondicional, é aquela que faz sem considerar merecimentos, isso nada mais é do que a manifestação do amor. Pois, assim se lê no Evangelho “de que o amor não pratica o mal contra o PRÓXIMO”. Portanto, o AMOR É O CUMPRIMENTO da Lei. A Lei com todas as suas santas revindicações nada mais é do que a bondade-amor nutrida e concreta no outro em quem assim é feito. Logo, “não adulterarás”, não é o não simplesmente olhar sensual com que olho o outro (a), mas, inclusive, ser bom no cumprimento de todos os meus deveres-serviços conjugais. Posto que, se meu olhar torna-se um olhar sensual, vejo que não manifesto bondade-amor para com quem estou comprometido em afeto e sexualidade intensa e fiel. Possivelmente, sou daquele que não está fazendo o que gostaria que se estivesse sendo feito a mim. Na passividade estou e nela fico, esquecendo que, realizo-me no fazer, embora não o seja feito a mim.

Esse exemplo é citado, tendo vista que, ele como tantos outros casos os são citados antes desse texto no qual estamos refletindo. Assim, se fala daquele que assassina através das ofensas e do desprezo, sendo que, na verdade, devo bendizer e pronunciar em meus lábios somente o que for útil para edificar (Mt 5.21-26); dos que se divorciam sem razões legais expondo o conjugue as vulnerabilidades da promiscuidade (Mt 5.27-30), visto que a preservação do casamento preserva o outro (a); dos que não se garantem em sua palavra e que apelam para coisas sagradas para se garantir (Mt 5.33-36), tendo em visto que, a construção do caráter e da confiança deve proceder no simples sim, sim e não não; dos que se pretendem pagar com a mesma moeda, sendo que a proposta do evangelho é entregar a cara pra apanhar (Mt 5.38-42), dos que alimentam a inimizade e a reafirmam, posto que segundo Jesus deve-se perdoar a tudo e a todos e ainda dispor-se ser o próximo dele em sua necessidade (Mt 5.43-48); dos que se autopromovem e se alardeiam naquilo que nada mais é do que um dever do bondoso-amoroso humano, esquecendo-se que, aqueles que assim procedem já receberam a sua recompensa que não passará de aplausos e lisonjas de homens (Mt 6.1-4); dos que procuram impressionar em sua vazia espiritualidade que não passa mais do que uma teatralização daquilo que, quando é feito com verdade, é feito de portas fechadas (Mt 6.5-8); dos que tem aparência de piedade, mas negam o poder (Mt 6.16-18); dos que não compreenderam o objetivo da riqueza que quando adquirida deve ser repartida no socorro do que não foi favorecido, mas que será por este, sendo este o verdadeiro ato de acumular riqueza Mt 6.19-24; dos que em sua ansiedade, vivem num desconforto da desconfiança, desprezando assim, a ativa presença dAquele que está comprometido com a irracionalidade confiança dos pássaros (Mt 6.25-34); daquele que ao invés de se enxergar, quer enxergar o outro, sendo que dessa forma nunca enxergará o alheio, sendo que para se ver o outro preciso antes ver a mim mesmo, pois, vendo a mim verei o outro como eu, alguém que é digno de misericórdia e acolhimento e não de pedras (Mt 7.1-5); dos que não percebem que a bondade de Deus não é comprada por supostos merecimentos, mas doada livremente a todos, porque Ele é bom e fará, obviamente e graças a Ele por isso, não segundo pensamos, mas segundo o que lhe aprouver, de modo que, isso será “as boas coisas” que Ele dá aos que lhe pedem (Mt 7.7-11)

Logo, fazer ao outro o que quero que se faça por mim, é portanto, ser bom. Visto que “somos criação de Deus realizada em Cristo para a prática de BOAS OBRAS, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” – Ef 2.10. Por essa razão é preciso se desconverter do desconvertido fluxo deste mundo e assim vivermos em novidade de vida como que numa via de contramão,  mas que vai para o rumo certo.

Escrevendo pelas simples razão de promover o bem a alguém,


Wellington Miguel
Discípulo

Esmeraldas, 12 de Julho de 2013

05:41h

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CANSEI DE PREGAR PARA A “igreja”


Parece que estamos em mundos diferentes. Perplexo vou ficando. O simples e puro Evangelho parece insuficiente para esta “igreja”. Então, cansei...

Cansei, posto que, se o puro e simples Evangelho, onde não há barganhas a fazer, é “insuficiente”, não há nada que se possa fazer.

Sim, quero sair dessa confinação e sofrimentos desnecessários.

Pois, se sofre com prazer, é por causas justas e, com isso não me refiro a idolatria de números, pois números nem sempre indicam qualidade.

Sim, cansei de pregar pra gente que só contribui para as necessidades do Reino e sua missão se o “negócio” for bom pra ela. É o “maldito toma lá dá cá”. São vítimas do “mercado da fé”. A Graça não tem graça.

Cansei da religiosidade vazia de obras, as quais evidenciam a verdadeira fé, posto que, se mostra fé pelas obras.

Cansei das tapinhas nos ombros e as indiferenças tentando se abraçar diante das necessidades do Reino.

Cansei de olhares que apenas olham e que se auto-enganam negando a mão que podia se estender.

Cansei...

Cansei...

Cansei...

Cansei como o apóstolo Paulo que se cansou de pregar aos judeus em suas sinagogas. Eram pretensiosos, senhores das barganhas, exclusivistas, cheios de tradições, convenientes, endurecidos, mesquinhos. Paulo se cansou, entretanto, redirecionou-se, agora se voltaria a outro povo, a outro lugar de congregação: o mundo, as ruas, as praias, as praças, enfim, o caminho.

Cansei amigos, da hipocrisia descarada e dos lábios que declaram qualquer palavra de adoração, mas que ao mesmo tempo denunciam sua falsidade.

Cansei de toda forma de piedade que nega o poder, o poder que se propõe a servir e amar.

Cansei de toda forma e traço religioso. É horrível ver que o Evangelho é identificado assim.

Cansei de quem olha só pra si...

Cansei de ver a indiferença e descaso que se faz do Evangelho genuíno, por meio do qual se conhece realmente a Deus.

Cansei de gente que só olha de longe, e por desconhecerem o que é obra de Deus, falam de coisas que não conhecem. Não passam de idólatras de movimentos, de números, de ambientes e de tecnicidades. Não conhecem o caminho da misericórdia, da simplicidade, do companheirismo e do amor. São amantes de coisas prontas. Cansei desses...

Cansei de gente que acha que a obra de Deus está confinada em templo. Sal meu irmão, é fora do saleiro. Então, saiamos, pois a Ele FORA do arraial, levando o seu vitupério – Hb 13.13

Então, para quem pregarei? Para quem nunca se deve deixar de pregar, o mundo. Assim foi dito pelo Mestre: “Indo por todo MUNDO, pregai o evangelho a TODA criatura” – Mc 16.15

Por todo o MUNDO e pelo CAMINHO. Sim, não faltará a quem se pregue.

Pregar o Evangelho da Graça de Deus realizada em Cristo Jesus em favor de todos os homens. Disso não estou cansado. Não me cansarei jamais, mesmo que um dia o meu corpo não corresponda às coordenações do meu cérebro, ainda imóvel e sem falar, pregarei. Pois, não vejo outra razão porque existo, senão para pregar a BOA PALAVRA DE DEUS aos moradores da Terra.

Oh Senhor! Renova as nossas forças, pois é assim que Tu fazes aos que esperam em Ti...

De quem, embora cansado, mas no Caminho caminha,


Wellington Miguel
Discípulo



Esmeraldas, 10 de julho de 2013

23:30h

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O EVANGELHO E SUA PROPOSTA NADA RELIGIOSA



O aparente “crescimento” da chamada “igreja” evangélica, infelizmente nada tem haver com o que se propõe o Evangelho. E, em função da extensão dessa temática, limito-me a escrever sobre o fato de que é um reducionismo assim qualificar o Evangelho a pretensão de ser uma religião. Sim, “o Evangelho não está em disputa com as religiões do mundo e nem tampouco pretende ser uma delas” - Caio Fábio.
É justamente na concepção de que o Evangelho é uma religião que se propõe, é que se fragmenta cada vez mais e suas inúmeras denominações vão surgindo em defesa de seus inegociáveis “dogmas”. A verdade é que essa fragmentação nada tem haver com crescimento e sim decrescimento-enfraquecimento da presença do povo de Deus na terra. Além disso, o espírito competitivo de mercado adentrou a consciência dessa suposta “igreja” de modo que exala ao ar o fétido cheiro de um arrebanhamento meramente local e para si, como se o Reino estive confinado ali. Então, temos aqui o reducionismo que se faz do Reino sendo que, na verdade, este Reino abarca todo o universo visível e invisível que inclusive inclui a nosso planetinha.
Bom eram os tempos de Jesus e dos primeiros discípulos. Eles se identificavam simplesmente dizendo: “ somos da Igreja que está em Colossos, ou em Éfeso, ou em Filipos, etc.”.  Não havia preocupações com templos adornados e nem se media o sucesso dela pelos seus prédios, pois, inclusive, essa expressão sucesso (com sua conotação atual) nem era empregada, antes, o que se empregara era a expressão FIDELIDADE.
Infelizmente, o que a Reforma prenunciava ficou por ali mesmo, SOLA SCRIPTURA. Se essa pérola tivesse sido tirada do terreno de onde foi reencontrada a “igreja” teria de todo se libertado. Mas ao reencontrá-la a mantiveram lá, no terreno da religiosidade e preso nas raízes de seus incansáveis “dogmas”.
O Evangelho, antes, é uma pessoa. O Evangelho antes é a Palavra que estava com Deus, aliás, a Palavra é Deus. Já é possível notar o quão descaracterizado está o chamado Cristianismo, que nada mais é, do que um “ismo” entre tantos outros que existem em função dos seus “ismos” viciados e supostamente pautados no Evangelho. Sendo Palavra-Pessoa, logo é Vida. Quem afirma isso é o apóstolo João quando diz que “ a Vida se manifestou; nós a VIMOS e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a Vida Eterna, que estava com o Pai e nos foi MANIFESTADA”. Este é Jesus, cujo nome é PALAVRA DE DEUS – Ap 19.13
Vida é fluxo, é dinâmica, é experiência relacional, é trajetória existencial, é movimento. Quando digo que o Evangelho como religião é um reducionismo, o digo em razão da grandeza e da dinâmica com que é em relação a pequenez forma religiosa da religião. Religião se diz daquela que se dá na frequência de suas reuniões; seus ritos, formas, modos e modas com que assim dizem está em relação com Sagrado, de sua pretensa postura de juíza dos homens, de sua mera observância em relação aos seus costumes e tradições, de suas ameaças sobre aqueles que não cumprirem seus “mandamentos-verdades”, de sua doentia arte de incentivo na relação com Sagrado através de barganhas, de sua semelhança catolicista com altares sacerdotais, de seu medo de falar a verdade e dá ao povo o que é de direito: LIBERDADE orientada pela consciência na VERDADE do Evangelho-VIDA.  Inclusive, hoje, estranho e suspeito é falar a verdade, correndo-se o risco de ser tachado de herege e queimado em praça pública pelo fogo da língua dos fariseus dos nossos tempos.
Então, o que se propõe o Evangelho. Ora, propõe o que lhe é peculiar e natural, a VIDA. A vida com todo o seu olhar livre e limpo. A vida que se dissolve como sal na terra dos relacionamentos e assim, dissolvendo-se, ganha significado para aquele em que se nos dissolvemos. A vida como luz-referência diante dos homens, sendo que esse brilho redirecionará o olhar para o Pai, o digno das glórias rendidas. A vida com toda a sua capacidade de tão somente discernir o que é bom e assim viver. A vida com toda a sua ambiguidade e paradoxo, entretanto, com alegria e gratidão. A vida com toda a sua coletividade cultural e habitual entre os humanos. A vida com toda a sua natureza criada para admiração e preservação. A vida com todo o direito de compreender que só vale a pena viver, se for a serviço ao próximo. A vida livre a tal ponto de se ser capaz de discernir o indiscernível nas dinâmicas da existência. A vida onde o amor não é o confuso amor confundido no pecado, mas o amor como naturalidade dos movimentos do ser de quem nasceu do alto, nasceu dAquele, Deus, o próprio Amor e que faz de nós também, pessoa-amor, de modo que, tal obra torna-se inseparável daquele, em quem, assim é feito.
Assim sendo, nossos ajuntamentos, tornam-se num encontro livre e dinâmico de pessoas que irão dar continuidade ao culto que nunca termina e que ali, será em unidade e  comunhão, ou seja, o simples prazer de se desfrutar da presença uns dos outros e acima de tudo encontrarem-se em torno do NOME e de sua genuína Palavra. Simples assim e, assim é o Evangelho, posto que o Evangelho se fez carne para que não se o reduzisse a tecnicidade, nem sistemas de ritos, nem em dogmas, nem em meras estruturas teológicas sistêmicas, nem em tradições de nenhuma forma de “fé”, mas unicamente e tão somente em vida e espírito, pois o próprio Evangelho-Carne disse em sua Palavras: “as minhas Palavras são espírito e vida”.
Dessa forma, enviado pelo Pai, Ele, Jesus, também nos envia para sermos o EVANGELHO em carne-modo-vida.
Na busca pela razão da Encarnação do Verbo,

Wellington Miguel
Discípulo



Esmeraldas, 28 de Junho de 2013

11:30h

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O ESTÁ casado e o SER casado



O “está” casado nada mais é que apenas está. Este sujeito, é alguém que, embora sendo fiel conjugalmente falando, é um infiel quanto ao caminhar do casamento, pois, casamento abrange muito mais do que o “não pular a cerca”. O “está” casado é alguém que se estagna, que não atenta para o universo que abarca o relacionamento. É alguém que não se apercebe dos detalhes e que vive justificando irresponsabilidades com o “sou macho”, o que pra mim é um machucado, ou ainda, aquela que se inunda nas ocupações encarando isso como um fator de importância sendo que isso é complementar e, que a melhor parte é a presença da afetividade e o se apresentar disposta. É um (a) idiota que, assim como a referida palavra diz, nada sabe e nem procura saber.

Toda a vida se segue, e segue bem, quando assim se segue segundo os princípios naturais para as quais a vida foi feita. E, quando me refiro a princípios naturais, me refiro aos princípios que foram estabelecidos desde a origem da vida com suas inúmeras ramificações: a família, o casamento, o criar filhos, o conviver em sociedade, o ocupar do trabalho, o adquirir e o vender, etc. Logo, o “está” casado, nada mais é alguém que desconhece os princípios que orientam o casamento. São princípios eternos, que além de terem sido estabelecidos para a relação conjugal, são eternos, pois são observáveis na relação do Deus triuno, e esse, eterno.

Assim, esse “está”, dificultará a fluência com que precisa fluir o relacionamento conjugal. Dificultará o crescer, com que precisa crescer o relacionamento. Isso se perceberá nas mais diversas sinalizações que se emergirá no cotidiano. Inúmeras queixas, comportamentos incomuns, descomprometimentos nos deveres, omissões e dezenas de outras situações tomará o cenário daquilo que a princípio “começou bem”. O “está” casado, nada é além do que, o não conhecer, o não saber, o não viver, os princípios normativos do casamento.

Normas essas que não devem ser observadas de forma arbitrária e imposta, mas num espírito de amor com que se pretende relacionar e visar o bem comum. Não é um pesar do fazer, mas uma liberdade e leveza no fazer.

E assim, começa-se a compreender o SER casado (a). Essa liberdade e leveza no fazer decorrem do coração que não meramente conhece os princípios que regem a conjugalidade, mas é o coração no qual se adentrou tais princípios, e que, enfim, tem a totalidade do seu ser simplesmente tomado por essa Graça que faz, sem perceber, por fazer com naturalidade e vida.

Faz, porque, além de ter sua consciência encharcada das verdades sobre casamento, seu alvo não é ser feliz, mas fazer o outro (a) feliz. A realização visa o outro, o bem estar do outro, ou seja, o meu satisfazer é o (a) tornar satisfeito/realizado (a). Por isso se diz na Palavra do Evangelho: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” – Mt 7.12

Por essa Palavra também, confronta-se toda postura passiva ante o relacionamento. Em razão de nossas prioridades e orgulho, ficamos do outro lado aguardando, esperando o que devia ser feito por mim, se é que tenho alguma razão. A razão precisa ser dada é a Deus. É a Ele e a sua Palavra que devemos dar razão. Que nossas infantilizadas razões sejam subestimadas em razão da razão de Deus a qual se deve dá razão. NEle está a razão que nada mais é o próprio princípio regulamentador e vivificador das relações conjugais.

O SER casado é esse que dá razão a Deus e, a essa razão, submete a sua consciência no Caminho. No Caminho que fez o caminho dos relacionamentos. E aqueles que caminham se orientam e sabem para onde estão indo.

O SER casado é alguém que não muda, embora esteja sempre mudando. Não muda porque encontrou o Caminho dos princípios e ali se enraizou, porém muda, porque deixou de dar razões a si e agora suas razões são as eternas razões de Deus em sua Palavra que o transforma para aquilo que de Deus é bom.
E você, vêm!?

Em Cristo, a Razão das existências da Existência,

Wellington Miguel

Esmeraldas, 17 de maio de 2013
22:51h

sábado, 11 de maio de 2013

Não me esquecerei de você...




“ Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de vocês.” – Is 49.15

É um belíssimo texto, embora lido e discutido fora do seu contexto e, portanto, empobrecido nas conclusões e aplicações dos que assim o fazem. O referido texto vem expressar algo mais profundo e animador concernente a vida, as nossas contradições, pecados e culpas. Pois, como o texto mesmo diz, que, “haveria uma mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama”? Dificilmente, mesmo porque uma criança que ainda mama nenhum problema traz, senão, o necessário cuidado com a higiene do mesmo. Mas, ainda que haja possibilidade da mãe de esquecê-lo, o Senhor assegura de que Ele jamais se esqueceria de sua nação querida, Israel. Interessante! Pelo contexto deste texto, a situação de Israel não vai bem. Em função de sua insistente idolatria e pecados dos mais variados, a normalidade das consequências estavam por vir, senão, já em acontecimento. Babilônia seria e foi uma vara de disciplina a dura cerviz de Israel ante a Palavra daquele que a amou e a redimiu, e que pessoalmente cuidava deles.

Nesse quadro de exílio e aparente abandono, a nação diz: “ O Senhor me abandonou, o Senhor me desamparou” – Is 49.14. Então, nesse caso, a nação não é comparada com um bebê que nada problematiza e de quem uma mãe dificilmente abandonaria ou dele se esqueceria. Não. A ilustração, na verdade, trata-se de Deus que, mesmo sendo mãe de uma nação hostil e rebelde em relação a sua vontade, e que, em consequência de suas mazelas encontrava-se desolada, dessa nação, mesmo na sua catastrófica situação, Ele não se esqueceria dela.

Essa é a questão. Mesmo sendo uma nação ingrata a toda ação graciosa de Deus, mesmo se fazendo incapaz de reconhecê-lo em sua autoria e benfeitorias, mas atribuindo a ídolos de metal, pedra e madeira – Is 48.5, mesmo voltando suas costas contra o Santo e o seu santo mandamento, mesmo em sua calamidade e desesperança, Ele diz: “ainda que uma mãe se esqueça de um indefeso filho que ainda amamenta, Eu não me esquecerei de vocês apesar de me tratarem assim”. O que é isso? É a misericórdia triunfando sobre o juízo e nada mais. É o amor cobrindo multidões de pecados. Este é aquele de quem se fala ser muito paciente e cheio de amor – Joel 2. Para dar uma idéia de pertencimento, o Senhor diz que os gravou nas palmas de suas mãos, e que, o que eles viviam, infelizmente, não passava de consequências em razão das recusas de suas Palavras.

Não me esquecerei de você. E de fato Ele não se esqueceu. 70 anos depois, em sua soberania, começa a trazê-los de volta pra casa, no entanto, esse voltar pra casa, agora, é de alcance maior. Não somente judeus, mas gentios e todos os que virem a crer também retornarão. Ele não se esqueceu. Seu compromisso amoroso, bondoso e paciente com a raça humana e não somente com uma única nação, faz dEle esse que não se esquece. A situação é a mesma. Os homens ainda estão indiferentes e voltando-se para o seu próprio caminho. Mas o Caminho se propõe e convida. Você vêm!? Sim, em Jesus, o não se esquecer acontece, pois, o não se esquecer, não é o só o mero lembrar, mas providenciar. Jesus, é o não se esquecer-lembrado-providenciado em favor dos que nada querem embora necessitem. A GRAÇA é o “não me esquecerei de você” que se manifestou como favor, não merecido, mas doado, e, doado com abundância tal que pessoalmente Ele veio. Veio não somente trazer a providência, mas ser a providência, pois nEle e por Ele o não me esquecerei se cumpre.

Lembrando, em função de sua fidelidade no que fala, Ele é próprio “não me esquecerei” que simplesmente continua garantindo que jamais nos abandonará e jamais nos desamparará. Só se perde agora quem se auto-abandona e se auto-desampara em sua mediocridade e pervesidade.
Agora Ele se fez ABRIGO, se fez PÃO, se fez ÁGUA e se fez, embora sempre o fora, a VIDA para todo o que dEle se aproxima em arrependimento e fé com amor e gratidão em serviço-obedecer. Você vêm!?

Em Cristo, o que não se esqueceu, como disse, fez.

Abç´s fraternos!

Wellington Miguel
Esmeraldas/MG
12 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Salvos pelo ENCARNADO...




“Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...”

Então, o Verbo se fez carne. Aquele que é a Palavra veio ao mundo, ao cosmos e ao humano. Nos psicoadaptamos a essa verdade que, pouco a pouco, perdemos sua profunda dimensão e Graça com a qual se deu a encarnação do Verbo, aquele por meio de quem tudo foi feito e em quem TUDO subsiste. Ele é aquele de quem se diz que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se. Antes, esvaziou-se voluntariamente, tornando-se servo daqueles a quem amou.

Assim, decidido desde os tempos eternos, veio aos antros deste planeta, para ser um ser humano, aliás, o verdadeiro ser humano. Seu objetivo? Sim, seu objetivo foi o mais sublime de todos os objetivos da vida: Demonstrar o seu AMOR.  E, amor se demonstra, não se fala. Portanto, sua singela missão era dar a sua vida em resgate de muitos. Embora, em sua vinda ao mundo não o fora bem recepcionado, antes, aqueles pelos quais inicialmente viera não o receberam. Mas seu plano não estava condicionado a esses, ele já era de alcance maior e extensivo.

Por essa razão, fomos alcançados a fim de alcançar e alcançar o que era inalcançável, mas agora, possível naquele que tornou possível nEle. Alcançar o prêmio, não meritório de nossa parte, mas gracioso na Graça, o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo.

Isto é salvar, pois aquele que precisa ser salvo, já está numa condição de real necessidade de o assim ser. Sim, pois, sua condição é de não reação, porque não há como reagir. Então, Ele veio ao mundo, tornando a impossibilidade na simples possibilidade em fé e amor. Ele veio, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dEle. O que não crê, não será condenado, na verdade já está, pois se mantém condenado na rejeição que faz do EVANGELHO. Portanto, a manifestação a priori do Evangelho é de salvação a todos os homens – Tt 2.11

Então, Jesus é o Evangelho, o Cristo prometido, a Rocha que não esmaga e não faz tropeçar para aqueles que creem. Ele é sabedoria de Deus. É o Deus em carne para que na sua carne se condenasse o pecado. Exatamente, sua encarnação fez da sua carne o lugar da propiciação. Ali, na carne do Encarnado, tudo foi posto. Imputado foi a iniquidade de todos nós, culminando no vazamento de seu sangue pelo qual misteriosamente somos sarados. Paradoxalmente sarados pelos ferimentos. Ele morreu a nossa morte, para que trazendo em si a morte, a vida se renascesse nos que creem. Você, crê?

Salvos pela GRAÇA graciosa, no gracioso Filho, o encarnado no mundo, morto, porém, ressurreto, pois, na verdade, ele não morreu, mas voluntariamente se deu, se entregou a morte, não porque ela tivesse domínio sobre Ele, mas porque Ele tinha autoridade para dar a sua vida e para retomá-la. Ninguém tirou a sua vida, pois quem tiraria a vida do Autor da vida? Ele a deu em amor e a retomou, simplesmente porque é o Autor. Ele a deu para condenação e destruição do pecado, mas retomou para nossa justificação, vida e liberdade.

Cristo Jesus veio ao mundo e virá outra vez...


Em Cristo,

Wellington Miguel
Esmeraldas, 05 de Maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

E QUANDO VOCÊ ESTÁ "SÓ"...



Falando aos que com sinceridade e simplicidade, em forma e vida, pregam o Evangelho...

Talvez essa situação seja a sua atualmente. Ou, quem sabe, você já passou por ela, está “só”. Nessas ocasiões, nos disparos para dentro do nosso ser, refletimos na possibilidade de estarmos errados, errados em nossas posturas, interpretações, idéias, visão e perfil, ou, quem sabe, por razões de não sermos compreendidos e vistos pelo que somos e sentimos.

Daí aquela “tentação” de ver o que pode atrair o olhar daqueles que gostaríamos que estivessem por perto, mas ao tentar atrair podemos nos trair. Não que nossas razões sejam razões absolutas e tal, mas que nossas razões não são razões que barganham e sim que se propõe de forma simples e sincera, carregada de amor e verdade.

Chego a conclusão de que, a não verdade, o não amor, o não simples é a linguagem dos nossos tempos. Portanto, que fazer? Se permitir a esse fermento que vai levedando toda a massa?

Existiu alguém que pisou este chão e transitou nas avenidas dessas contradições, contradizendo, sem, porém, se contradizer. Este é Jesus. Ele não só esteve “só”, na verdade, Ele nunca teve medo de está “só”. Nunca se permitiu atrair ninguém por vias de barganhas, se tão somente pela simplicidade e verdade. Quando se percebia nas multidões outras motivações no segui-lo, interrompia a caminhada e as questionava. Certo dia, quando uma multidão o seguia, ele parou no caminho, e se voltando para ela, disse: “se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” – Lc 14.26
Se a razão ao segui-lo não fosse a simplicidade do evangelho, o amor em prioridade a Ele, e a verdade que nEle estava, então, segui-lo era perda de tempo e futura frustração. Poderia ser traído, mas jamais se trairia. Pois quem assim o é, o é pleno em si, nunca se cansando de continuar a ser e fazer o anunciar.

Certa feita, Paulo escreveu a Timóteo: “quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu” – II Tm 3.14. Em razão das coisas que Timóteo aprendeu e das quais tinha convicção, ele, como Paulo, padecia perseguições e abandonos, pois, dizia Paulo, “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos e abandonados” – v.12 e cap. 4.9

Logo, balizado na simplicidade do Evangelho e, nele fincado, Paulo continua: “pregue a PALAVRA, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que NÃO SURPORTARÃO a sã doutrina...” – II Tm 4.2,3.

Por isso a Igreja de Jesus é simples, onde estiverem dois ou três em torno do SEU NOME, ALI estará.

Pois, há muitos ajuntamentos grandes que, embora mencionem o seu nome, não estão em torno do SEU NOME de forma simples e singelo.

Não sei no que você pensa quando lê essas coisas. Talvez você conclua que isso seja coisa de gente frustrada, autovitimizada, mau sucedida e mau resolvida, mas se você for um pouco lúcido (a) e ter um olhar luminoso e um ser tomado pela simplicidade do evangelho, começará a me compreender...

Então, que se conclui, ao não concluível, é que, o melhor, é sacudir a poeira dos pés como testemunho contra aqueles que desprezam o amor a verdade e ir àqueles que não o procuram, mas aos quais Ele se deixará ser achado, aos quais Ele se revelará embora não  perguntassem por Ele. Então, Senhor, envia-me a eles, pois o meu prazer e o de muitos é simplesmente anunciar o simples e de forma simples, o EVANGELHO DA GRAÇA, sem barganhas de nenhuma espécie...

Em Cristo, que é simples...


Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso

segunda-feira, 15 de abril de 2013

MOTIVAÇÕES...

Quero aqui partilhar com meus amigos sobre as motivações que nos levam a nos aproximar uns dos outros. Normalmente as proximidades que temos visam em sua maioria proporcionar benefícios para nós. Fazemos aquela costumeira pergunta: “Olá! Como está?” e outro diz: “Tudo bem!?”. Sim, fazemos isso por educação e isso é bom. Mas, será que de fato, estou interessado em saber como está tal pessoa. Será que estou me importando com seu bem estar quando lhe dirijo esta pergunta? 

Numa sociedade marcada pela urgência, o famoso “tô correndo atrás depois te ligo”; a paranóia do consumismo, a centralidade do “eu”, a supervalorização do corpo, vem minando a riqueza da verdadeira e profunda amizade. Quando procuramos por alguém, normalmente é porque precisamos de algo. 

O “ter” tornou-se o modo de vida mais importante do que o “ser”. Estamos vivendo um tempo em que a sociedade está amando coisas e usando pessoas. O mesmo está se dando na fé cristã. Pessoas se utilizam de Deus, se é que o podem. Fazem de Deus o seu servo. Se esquecem ou nunca se interessaram em compreender que a oração é um lugar, antes, de comunhão (intimidade). Pessoas vão à Igreja, porém com motivações estranhas. O culto é um ambiente onde o principal propósito é oferecer, porém muitos vão para requerer. 

Nossos relacionamentos familiares também sofrem dessa crise. Em muitos lares, o diálogo limita-se a solicitação de favores e deveres. Não há afetividade entre conjugues nem entre pais e filhos. Quando se aproximam é para fazer cobranças. 

Pense. Quanto tempo você gasta num diálogo descontraído com a família, no ouvir o relatório do dia dos filhos e do conjugue? Quanto tempo gastam orando em família, se é que se lembram disso pelo menos nas refeições? E as histórias de famílias, as histórias bíblicas, assuntos profundos que falam do ‘ser’ e menos de coisas. E os diálogos que se importam com o bem estar do outro. 

Certo dia, estava me preparando para viajar. Com pressa, ali lavava o carro quando de repente fui surpreendido por um homem que vivia nas ruas embriagado. Eu pensei: “Agora não!”. Mas notei em seus olhos uma necessidade de receber atenção. Então, abandonei a esponja, desliguei a água e lá iniciamos um longo diálogo sobre o plano que Deus tinha para ele, de lhe transformar e salvar. Minha viajem? Obviamente atrasou! Mas aquele homem, dias depois veio a mim e disse: “quero servir ao Senhor com vc em sua Igreja”. Compreendi e aprendi o valor de um tempo bem investido. 

Meus amigos, talvez seja estranho o que vou lhes dizer, mas que tal pararmos? Repensar nossa filosofia de vida, o que realmente vale a pena, quais são os valores de vida que adotamos. Parar e observar nosso (a) esposo (a) que há muito tempo gostaria de viver momentos de exclusividade com vc e essa correria e distração não o permitiu ver. Parar e observar o quão distantes estamos de uma verdadeira comunhão com Deus e de sua igreja. Agendar visitas a um amigo (a), não para lhe pedir favores e outros, mas para cuidar, encorajar, auxiliar. 

Não posso parar. Talvez vc esteja pensando nisso. Mas, vc um dia vai parar, não sei de que forma, mas vai. A própria vida vai fazer isso. Por quê? Porque ela clama pela profundidade, pela qualidade de tempo, pela atenção, pela oração. Veja isso em vc mesmo...

Há muitas coisas que gostaria de tratar, mas não quero ser enfadonho. Fico por aqui, numa expectativa de ajudar de alguma forma e despertamos da sonolência dos nossos tempos e assim vivermos para a glória de Deus.

Forte abraço!

Wellington Miguel


Esmeraldas, 24 de abril de 2012

domingo, 14 de abril de 2013

ENCONTRANDO AQUILO QUE ME ACHOU...


O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo – Mt 13.44


O Reino dos céus é como um tesouro escondido. O que isso sugere? Sugere a forma como ele é: invisível. O Reino não vem de forma visível, não possui local onde possa ser encontrado. Nele não há palácio. O seu trono nada mais é do que sua própria autoridade e soberania. O Rei deste Reino, também não pode ser visto, mas se faz presente. Na verdade sua presença é o próprio Reino. Nele tudo subsiste e é sustentado por sua poderosa palavra. NEle estão todas as coisas, mas Ele não é todas as coisas.

Mas este Reino está aí. Está aí para ser achado. Não porque cabe a alguém o mérito de o encontrar, mas encontrar aquilo que o procura. O Reino está a procura de verdadeiros adoradores. Adorador não é aquele que simplesmente canta, ergue as mãos e diz alguma coisa ao Totalmente Outro, mas aquele que reconhece e vive a renúncia de suas paixões e, encontrando aquele que O procura, a este se entrega para adoração que nada mais é uma forma de vida que implica nas mais variadas formas de serviço, obediência e fé nEle e para Ele, Jesus.

Então, encontrando aquele que o procura, vive-se uma alegria tal que, a atitude que se toma é a venda de tudo o que tem para se obter aquilo que o achou, o Reino dos céus. Nada mais tem o valor que o Reino dos céus. Ser achado no encontrar o Reino dos céus, leva ao amor maior, amor este que deprecia algumas coisas e não despreza outras, que abandona situações e não o ser humano, que trata apegos e não isenta de compromissos, que remove pecados e não responsabilidades.

O Reino em primeiro lugar. Um priorizar comprometido com a vida e seus íntimos. Um priorizar interior que reflete e vive-se para o outro, seja pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs. Um viver em luz e sal. Um viver em proclamação, às vezes sem proclamar, mas apenas um demonstrar silencioso sendo gente boa.

Vender tudo e “adquirir” o Reino implica simplesmente numa correção da postura ante a vida com toda a sua beleza. Correção esta proposta e efetuada unicamente em Cristo e no seu Evangelho gracioso. É um remover do mundo para ser enviado a ele, agora sem se contaminar, mas influenciar, temperar, reluzir. Pois o Reino dos CÉUS estava próximo, chegou, não em plenitude, mas chegou, embora já estivesse. Está, sendo cada dia mais pleno em seu reconhecimento e conhecimento. Assim na terra como nos céus, o Reino é a inculturação do céu na terra. O Reino é um caminhar na terra com a mente do céu. A mente oriunda do arrependimento-fé que, em Cristo nasceu de novo, nasceu do alto, para que do que se aprende do alto, vive-se aqui nos antros deste planeta.

Assim aquele que vendeu tudo, é aquele que pelo e no Reino quer viver. É a partir do Reino. Tudo começa e se orienta no Reino-vontade de Deus. Do contrário, uma catastrófica vida se viverá, pois, a maior tragédia da vida ou na vida não é a morte ou qualquer coisa que consideremos. Mas a maior tragédia é viver toda a existência sem conhecer e viver o propósito de Deus. Simplesmente não se viveu, não compensou existir.

Venha o teu Reino que não aliena, mas encarna a graça do caminhar em Cristo na terra e entre os homens.

Forte abraço!

Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso

Esmeraldas, 14 de abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Apenas ame...


Nossa caminhada no Caminho é marcada pela contínua e desafiante lida com o pecado. A questão é até bíblica. Em muitos casos de vida, é até angustiante em função da aparente e suposta dificuldade, fraqueza, vício. Eu mesmo atravessei anos lidando com fraquezas que nunca foram superadas e/ou vencidas, mortificadas. O conflito era tal que, difícil era acreditar em João, o apóstolo, que dizia: “os mandamentos do Senhor NÃO SÃO PENOSOS”.

Não obstante nosso miserável estado pecaminoso, sempre observei uma frágil estrutura interior para melhor assimilação, tomada de decisões, medo do novo e estranho, desventurado coração e tantas outras fragilidades que só agora estão sendo superadas e o novo esta sendo aprendido e apreendido em meu ser.

Então, empreendi uma busca por janelas da vida. Janelas que me ajudassem a olhar para dentro e para fora. Muitas vezes o fiz de forma ofegante, desesperado, como alguém que está sendo asfixiado e na loucura procura lugar para um novo ar. Notava que essa procura se dava em razão de um clamor interior que dizia: há um caminho embora estreito, suave e leve, prazeroso, deleitoso, inefável, revigorável...

Como quem está encontrando luz no fim do túnel, saí ao encontro daqueles fachos reluzentes da chamada Graça. Graça essa que decorreu do muito AMOR. E, desse muito AMOR, decorreu misericórdia. Tal é essa misericórdia amados, que, nem o juízo a subestima. Antes ela triunfa. Notei que o meu ser se silenciou ante tal FEITO, inigualável paciência. Não a paciência do que compactua, mas a paciência da espera paciente de quem respeita o tempo e a reconstrução do caos pecaminoso presente no cerne humano. A paciência da espera paciente daquele que disse um dia: “tenho muito que lhes dizer, mas não o podem suportar agora”. Lenta e gradualmente a espera paciente da Graça que abundou, fez abundar em plenitude a nova vida do Cristo da Vida.

Notei que a abundante Graça, fez abundar o AMOR. E, a presença estranha desse amor simplesmente começou a alterar os modos. E o pecado? Passei a não me preocupar com ele, pois, simplesmente, o AMOR decorrente da graça como um fluxo contínuo, percorre constantemente o ser, não o dominando, mas orientando-o.

Compreendi que “aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei, pois, os mandamentos, não furtarás, não adulterarás, não matarás, não cobiçarás e qualquer outro mandamento, TODOS se resumem neste preceito: ame o seu próximo como a si mesmo. O AMOR NÃO PRATICA O MAL CONTRA O PRÓXIMO... NEM CONTRA DEUS, nem contra mim mesmo” – Rm 13.8-10

Apenas ame...

Pois, quem é amado do Pai, por este amor viverá. Tornar-se-á amor vivencial-prático. Terá a totalidade do ser tomado, simplesmente porque Deus derramou o seu AMOR em nossos corações, por meio do Espírito que Ele nos CONCEDEU. Derramado está, de forma que não sou eu mais, mas o eu nEle reconfigurado, que no caminho do Caminho caminha em paz e livre na liberdade de AMAR como uma naturalidade da vida. E o pecado? Está subjugado pela prevalência do AMOR encarnado, derramado e concedido como forma e Graça de libertação.

Apenas ame....


Forte abraço e boa caminhada no Caminho em graça, amor, paz, quietude, serenidade...


Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso.