segunda-feira, 15 de abril de 2013

MOTIVAÇÕES...

Quero aqui partilhar com meus amigos sobre as motivações que nos levam a nos aproximar uns dos outros. Normalmente as proximidades que temos visam em sua maioria proporcionar benefícios para nós. Fazemos aquela costumeira pergunta: “Olá! Como está?” e outro diz: “Tudo bem!?”. Sim, fazemos isso por educação e isso é bom. Mas, será que de fato, estou interessado em saber como está tal pessoa. Será que estou me importando com seu bem estar quando lhe dirijo esta pergunta? 

Numa sociedade marcada pela urgência, o famoso “tô correndo atrás depois te ligo”; a paranóia do consumismo, a centralidade do “eu”, a supervalorização do corpo, vem minando a riqueza da verdadeira e profunda amizade. Quando procuramos por alguém, normalmente é porque precisamos de algo. 

O “ter” tornou-se o modo de vida mais importante do que o “ser”. Estamos vivendo um tempo em que a sociedade está amando coisas e usando pessoas. O mesmo está se dando na fé cristã. Pessoas se utilizam de Deus, se é que o podem. Fazem de Deus o seu servo. Se esquecem ou nunca se interessaram em compreender que a oração é um lugar, antes, de comunhão (intimidade). Pessoas vão à Igreja, porém com motivações estranhas. O culto é um ambiente onde o principal propósito é oferecer, porém muitos vão para requerer. 

Nossos relacionamentos familiares também sofrem dessa crise. Em muitos lares, o diálogo limita-se a solicitação de favores e deveres. Não há afetividade entre conjugues nem entre pais e filhos. Quando se aproximam é para fazer cobranças. 

Pense. Quanto tempo você gasta num diálogo descontraído com a família, no ouvir o relatório do dia dos filhos e do conjugue? Quanto tempo gastam orando em família, se é que se lembram disso pelo menos nas refeições? E as histórias de famílias, as histórias bíblicas, assuntos profundos que falam do ‘ser’ e menos de coisas. E os diálogos que se importam com o bem estar do outro. 

Certo dia, estava me preparando para viajar. Com pressa, ali lavava o carro quando de repente fui surpreendido por um homem que vivia nas ruas embriagado. Eu pensei: “Agora não!”. Mas notei em seus olhos uma necessidade de receber atenção. Então, abandonei a esponja, desliguei a água e lá iniciamos um longo diálogo sobre o plano que Deus tinha para ele, de lhe transformar e salvar. Minha viajem? Obviamente atrasou! Mas aquele homem, dias depois veio a mim e disse: “quero servir ao Senhor com vc em sua Igreja”. Compreendi e aprendi o valor de um tempo bem investido. 

Meus amigos, talvez seja estranho o que vou lhes dizer, mas que tal pararmos? Repensar nossa filosofia de vida, o que realmente vale a pena, quais são os valores de vida que adotamos. Parar e observar nosso (a) esposo (a) que há muito tempo gostaria de viver momentos de exclusividade com vc e essa correria e distração não o permitiu ver. Parar e observar o quão distantes estamos de uma verdadeira comunhão com Deus e de sua igreja. Agendar visitas a um amigo (a), não para lhe pedir favores e outros, mas para cuidar, encorajar, auxiliar. 

Não posso parar. Talvez vc esteja pensando nisso. Mas, vc um dia vai parar, não sei de que forma, mas vai. A própria vida vai fazer isso. Por quê? Porque ela clama pela profundidade, pela qualidade de tempo, pela atenção, pela oração. Veja isso em vc mesmo...

Há muitas coisas que gostaria de tratar, mas não quero ser enfadonho. Fico por aqui, numa expectativa de ajudar de alguma forma e despertamos da sonolência dos nossos tempos e assim vivermos para a glória de Deus.

Forte abraço!

Wellington Miguel


Esmeraldas, 24 de abril de 2012

domingo, 14 de abril de 2013

ENCONTRANDO AQUILO QUE ME ACHOU...


O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo – Mt 13.44


O Reino dos céus é como um tesouro escondido. O que isso sugere? Sugere a forma como ele é: invisível. O Reino não vem de forma visível, não possui local onde possa ser encontrado. Nele não há palácio. O seu trono nada mais é do que sua própria autoridade e soberania. O Rei deste Reino, também não pode ser visto, mas se faz presente. Na verdade sua presença é o próprio Reino. Nele tudo subsiste e é sustentado por sua poderosa palavra. NEle estão todas as coisas, mas Ele não é todas as coisas.

Mas este Reino está aí. Está aí para ser achado. Não porque cabe a alguém o mérito de o encontrar, mas encontrar aquilo que o procura. O Reino está a procura de verdadeiros adoradores. Adorador não é aquele que simplesmente canta, ergue as mãos e diz alguma coisa ao Totalmente Outro, mas aquele que reconhece e vive a renúncia de suas paixões e, encontrando aquele que O procura, a este se entrega para adoração que nada mais é uma forma de vida que implica nas mais variadas formas de serviço, obediência e fé nEle e para Ele, Jesus.

Então, encontrando aquele que o procura, vive-se uma alegria tal que, a atitude que se toma é a venda de tudo o que tem para se obter aquilo que o achou, o Reino dos céus. Nada mais tem o valor que o Reino dos céus. Ser achado no encontrar o Reino dos céus, leva ao amor maior, amor este que deprecia algumas coisas e não despreza outras, que abandona situações e não o ser humano, que trata apegos e não isenta de compromissos, que remove pecados e não responsabilidades.

O Reino em primeiro lugar. Um priorizar comprometido com a vida e seus íntimos. Um priorizar interior que reflete e vive-se para o outro, seja pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs. Um viver em luz e sal. Um viver em proclamação, às vezes sem proclamar, mas apenas um demonstrar silencioso sendo gente boa.

Vender tudo e “adquirir” o Reino implica simplesmente numa correção da postura ante a vida com toda a sua beleza. Correção esta proposta e efetuada unicamente em Cristo e no seu Evangelho gracioso. É um remover do mundo para ser enviado a ele, agora sem se contaminar, mas influenciar, temperar, reluzir. Pois o Reino dos CÉUS estava próximo, chegou, não em plenitude, mas chegou, embora já estivesse. Está, sendo cada dia mais pleno em seu reconhecimento e conhecimento. Assim na terra como nos céus, o Reino é a inculturação do céu na terra. O Reino é um caminhar na terra com a mente do céu. A mente oriunda do arrependimento-fé que, em Cristo nasceu de novo, nasceu do alto, para que do que se aprende do alto, vive-se aqui nos antros deste planeta.

Assim aquele que vendeu tudo, é aquele que pelo e no Reino quer viver. É a partir do Reino. Tudo começa e se orienta no Reino-vontade de Deus. Do contrário, uma catastrófica vida se viverá, pois, a maior tragédia da vida ou na vida não é a morte ou qualquer coisa que consideremos. Mas a maior tragédia é viver toda a existência sem conhecer e viver o propósito de Deus. Simplesmente não se viveu, não compensou existir.

Venha o teu Reino que não aliena, mas encarna a graça do caminhar em Cristo na terra e entre os homens.

Forte abraço!

Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso

Esmeraldas, 14 de abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Apenas ame...


Nossa caminhada no Caminho é marcada pela contínua e desafiante lida com o pecado. A questão é até bíblica. Em muitos casos de vida, é até angustiante em função da aparente e suposta dificuldade, fraqueza, vício. Eu mesmo atravessei anos lidando com fraquezas que nunca foram superadas e/ou vencidas, mortificadas. O conflito era tal que, difícil era acreditar em João, o apóstolo, que dizia: “os mandamentos do Senhor NÃO SÃO PENOSOS”.

Não obstante nosso miserável estado pecaminoso, sempre observei uma frágil estrutura interior para melhor assimilação, tomada de decisões, medo do novo e estranho, desventurado coração e tantas outras fragilidades que só agora estão sendo superadas e o novo esta sendo aprendido e apreendido em meu ser.

Então, empreendi uma busca por janelas da vida. Janelas que me ajudassem a olhar para dentro e para fora. Muitas vezes o fiz de forma ofegante, desesperado, como alguém que está sendo asfixiado e na loucura procura lugar para um novo ar. Notava que essa procura se dava em razão de um clamor interior que dizia: há um caminho embora estreito, suave e leve, prazeroso, deleitoso, inefável, revigorável...

Como quem está encontrando luz no fim do túnel, saí ao encontro daqueles fachos reluzentes da chamada Graça. Graça essa que decorreu do muito AMOR. E, desse muito AMOR, decorreu misericórdia. Tal é essa misericórdia amados, que, nem o juízo a subestima. Antes ela triunfa. Notei que o meu ser se silenciou ante tal FEITO, inigualável paciência. Não a paciência do que compactua, mas a paciência da espera paciente de quem respeita o tempo e a reconstrução do caos pecaminoso presente no cerne humano. A paciência da espera paciente daquele que disse um dia: “tenho muito que lhes dizer, mas não o podem suportar agora”. Lenta e gradualmente a espera paciente da Graça que abundou, fez abundar em plenitude a nova vida do Cristo da Vida.

Notei que a abundante Graça, fez abundar o AMOR. E, a presença estranha desse amor simplesmente começou a alterar os modos. E o pecado? Passei a não me preocupar com ele, pois, simplesmente, o AMOR decorrente da graça como um fluxo contínuo, percorre constantemente o ser, não o dominando, mas orientando-o.

Compreendi que “aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei, pois, os mandamentos, não furtarás, não adulterarás, não matarás, não cobiçarás e qualquer outro mandamento, TODOS se resumem neste preceito: ame o seu próximo como a si mesmo. O AMOR NÃO PRATICA O MAL CONTRA O PRÓXIMO... NEM CONTRA DEUS, nem contra mim mesmo” – Rm 13.8-10

Apenas ame...

Pois, quem é amado do Pai, por este amor viverá. Tornar-se-á amor vivencial-prático. Terá a totalidade do ser tomado, simplesmente porque Deus derramou o seu AMOR em nossos corações, por meio do Espírito que Ele nos CONCEDEU. Derramado está, de forma que não sou eu mais, mas o eu nEle reconfigurado, que no caminho do Caminho caminha em paz e livre na liberdade de AMAR como uma naturalidade da vida. E o pecado? Está subjugado pela prevalência do AMOR encarnado, derramado e concedido como forma e Graça de libertação.

Apenas ame....


Forte abraço e boa caminhada no Caminho em graça, amor, paz, quietude, serenidade...


Wellington Miguel
Servo de Deus e vosso.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O MISTÉRIO DO AMOR AO PRÓXIMO



“...todo aquele que ama o Pai ama também o que dele foi gerado.”
 Assim escreveu um dos discípulos mais íntimos do Senhor Jesus, João, o apóstolo.

Como todos os demais escritores das Sagradas Escrituras, João foi inspirado pela pessoa do Espírito Santo. E assim, junto dessa inspiração João escreveu o que viu com os seus olhos, o que contemplou e o que suas mãos apalparam, Jesus, o Verbo da Vida – I Jo 1.1
Percebemos em seus textos, que João foi impactado. Ele era um “filho do trovão”, agora é um filho do amor. João é um dos escritores que mais enfatiza esse tema: o Amor.  Ele diz: “Amados, visto que Deus assim nos amou, nós devemos amar uns aos outros” – I Jo 4.11.
Deus leva isso muito em consideração. É o ápice do discipulado. O próprio Senhor Jesus disse: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” – Jo 13.35. Porém, muitos discípulos “encontram razões” para não amar determinado irmão. De fato, existem pessoas que dificultam a caminhada de um relacionamento. Que fazer? Como transpor a dificuldade? Como superá-las em nome da comunhão, em nome da unidade? Qual é o mistério do amor ao próximo?
João revela-nos o mistério: “...todo aquele que ama o Pai ama também o que dele foi gerado” – I Jo 5.1. Sem uma experiência de amor primeiramente com Pai, dificilmente amar-se-á os que dEle são gerados: os filhos (nossos irmãos). De onde João pode ter desvendado este mistério. Na verdade, ele o ouviu do próprio Senhor: “Ame o Senhor teu Deus de todo o seu coração... este é o primeiro mandamento. E o segundo é este: ame o seu próximo...” – Mt 22.37-39.
A possibilidade de amar o irmão está, em primeiro lugar, vivenciarmos a experiência de amor com o Pai, e assim, inevitavelmente amar o irmão. Ao vivenciar a experiência de ser amado pelo Pai, compreenderemos que somos aceitos como somos, embora o Pai não nos deixe como estamos. Na linguagem paulina, é um amor constrangedor. Como ouso não amar alguém por diversas razões que considero, se fui amado pelo Senhor apesar das diversas razões que Ele tinha para não me amar?
Mas quando esse amor é derramado em nossos corações por meio do Espírito que ele nos deu, somos desarmados, ficamos extasiados, sentimo-nos indignos, o que de fato somos. Mas o Senhor não nos abandona nesse sentimento depressivo, logo Ele nos diz: Tu és meu, meu filho amado. Paulo, compreendendo isso escreve: “Como povo de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão” – Cl 3.12.  A capacidade de se colocar no lugar do outro para compreendê-lo, aceitá-lo e amá-lo foi concedida pelo Senhor. Agora é um filho amado, experiente e experimentado no amor do Pai.
 Dessa forma, amar o irmão não será um mandamento penoso – I Jo 5.3. Olharemos para o nosso irmão e não o consideraremos do ponto de vista humano, ou seja, não o olharemos com opiniões mundanas, mas como nova criação de Deus em Cristo Jesus, como nascido do Espírito, como filho de Deus, como membros uns dos outros. Eis o mistério do amor ao próximo...


Soli Deo Gloria

Pr. Wellington Miguel


Esmeraldas, 01 de Setembro de 2011 – às 00:20h