segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

QUAL É O EFEITO DO SANGUE DE JESUS SOBRE NÓS?

O pecado além de ser uma “herança” na vida dos humanos é também uma maneira vazia de viver transmitida por nossos antepassados, conforme Pedro, o apóstolo. 

Assim, carregamos a anomalia em nossa psique.  Somos o que não devíamos ser. Agimos de modo que não deveríamos agir. Olhamos da forma como não se devia olhar. Nossos sentimentos são confusos e poucas vezes sinceros. Estamos nos desviando pelo nosso próprio caminho.

Pecados não são apenas ações de erros, erros são as externalidades do pecado. Pecado é o nosso estado. Por isso se dissermos que não temos pecado, mentimos, mesmo não o praticando. A carne (toda a dimensão do ser) milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne de modo que não fazemos o que queremos.

Quem me livrará deste corpo de morte? Ora, vencer o pecado não é se adestrar, mas ser livre para dizer não. Domínio próprio, não é a neurose suicida e legalista do não, mas a graça que liberta do domínio do pecado para que eu, agora livre, exerça o domínio próprio para escolher, de modo que, o não, é o simples não do livre.

Quem é pois o livre senão, aquele que crê no Senhor Jesus? Sim, aquele que crê, é aquele que, por quem o sangue de Jesus foi derramado, ou seja, por quem Jesus derramou sua vida e por amor se deu de forma substitutiva, morrendo em nosso lugar. É livre na consciência porque é escravo da lei de Deus. Agora está cativo na liberdade da graça de modo que, mesmo no corpo de morte, é livre na consciência, posto que, pelo sangue nossa consciência é purificada. 

Consciência purificada nada mais é do que uma consciência livre e em livramento das anomalias de nossa psique. Consciência purificada é a purificação da nossa consciência de atos que levam a morte.

Logo, o sangue traz consigo os seus efeitos. Visto que, a purificação da consciência, não mais subestimada ao pecado, é uma consciência que agora se enxerga e atenta para suas ações. As ações da consciência livre são ações acompanhadas de amor e em amor. Por outro lado, o pecado nos aliena da vida em amor. Agora livres, o Senhor sanciona o novo mandamento: amai-vos uns aos outros... Apesar de ser MANDAMENTO, amar é a graça da liberdade de uma consciência purificada. Isso é salvação em Jesus, por meio de quem, nosso psique, é resgatado da alienação do pecado e nos remete a novidade de vida. Vejo isso quando, agora aprendo a tratar minha esposa, a ser amigo de meus filhos, a repartir o que tenho, a acolher o aflito, a amar o inimigo e orar pelos que me perseguem, a chorar com os que choram, a alegrar com os que se alegram, a proclamar a mensagem do Reino, a fazer de tudo isso o verdadeiro culto a Deus.

Esse é o efeito do sangue de Jesus. Você, quer? Vem e veja. Creia e experimente. 

Em Cristo,


Wellington Miguel


Esmeraldas, 03 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 29 de julho de 2013

NÃO SE DEIXEM ENGANAR...





DEUS NÃO É TRATADO COM DESPREZO...

...pois, o que o homem semear isso colherá - Gl 6.7-9


Apesar de toda forma de engano presente no sistema, a maior fonte de engano na existência é o autoengano. Sim, somos atropelados pelas exigências do nosso tempo e, em cada tempo e geração há as suas exigências e pressupostos que são estabelecidos a partir dos quais somos definidos como “alguém”. Sendo que ser “alguém” não se é determinado pela estrutura social, econômica, política, moda, etc., mas sim pela matriz da qual nos originamos. Essa matriz é Deus. A partir dEle o meu “alguém” se reconhece, se encontra, se é. Note que, quando o nosso “alguém” procura se determinar a partir de qualquer outra matriz, seja ela determinada pela política, economia, cultura, moda, religião, etc., nunca nos percebemos numa contínua satisfação. Insaciáveis, vamos conectando-nos as inúmeras outras alternativas, numa paranoia busca pelo nosso “alguém”. Esse é um tipo de engano, vem de fora. Então, não se deixem enganar...
Na verdade essa busca paranoica se dá, não em função do não saber de Deus, pois de Deus se sabe, não porque Ele é anunciado pelas religiões, pelos amigos, pela família, mas porque o nosso próprio ser O reconhece. A Palavra diz que as “exigências da Lei de Deus estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos...” (Rm 2.14-16). O que se evidencia no ser humano é um autoengano que se apropria do engano. O que isso quer dizer? Quer dizer que mesmo reconhecendo Deus, opto por não fazer caso dEle. É um auto engano, vem de dentro. É o que Paulo está dizendo em Gl 6.7: “Não se deixem enganar (desviar da verdade): de Deus não se zomba (tratar com desprezo)”.
                Quem se auto engana (que vem de dentro), acaba-se por apetitar nos pratos do engano que vem de fora, uma vez que se auto enganou, na verdade, desprezando aquele de quem ele é derivado.
                Dessa forma, desprezando o Totalmente Outro, todo o seu pendor, ou seja, sua inclinação, dar-se-á para a “carne”. Dar-se-á para a insaciabilidade vontade de sua natureza humana caída. Embriagar-se-á do “vinho” que leva a dissolução, simplesmente se acabando no desequilíbrio de sua estupidez. Diria Paulo que isso é semear para a carne. Sua inevitável colheita será a destruição (ruína).
A complexa natureza humana foi criada para viver em prazer. Quando esse deleite é satisfeito naquilo que é Pão para ela, então se aquieta. Quando não se satisfaz no que não é pão, então repetidas doses se “tornam necessárias” criando um ciclo vicioso viciado de se ser.
Deus não se propõe. Ele não é uma alternativa na existência. Ele é a origem. Necessário. Qualquer postura diferente a isso é desprezo a Deus e entrega a si mesmo. Na verdade, não existe o não optar por Deus, mas o rebelar-se, o enganar-se. Assim, viver é um ato de semeadura. A forma como determinamos viver, isso será a forma como semeamos no caminho da vida.
Quem semeia para a sua carne, colherá destruição, diz o apóstolo. Sim, o que semeia para a carne já desprezou o Criador, e por consequência, já se auto desprezou e haverá de desprezar o seu próximo. Semeando para a “carne”, vai alimentando-a para a loucura de uma vida sem consciência de amor, misericórdia e bondade. Posto que, as obras da carne, ou seja, seus feitos nada mais são do que, transtorna-me e transtornar o outro. Por exemplo, na imoralidade sexual (gr. pronéia), além de pecar contra o meu próprio corpo estou lesando o do outro, além dos transtornos emocionais que se desencadeiam – Gl 5.19I Ts 4.3-6.
É uma semeadura destrutiva. Traz fins danosos para quem não se arrepende, podendo até comprometer sua eternidade, pois quem assim vive, também despreza a perenidade da vida.
Porém, a quem semeia para o Espírito, colherá vida eterna. Ora, quem semeia para/no Espírito haverá de colher o que dEle frutifica: o amor e suas derivadas ações. Visto que, do amor como caráter formado-implatado no ser, o ser se será santo, pois o amor não prática o mal contra o próximo. Portanto, amando o próximo, obviamente, já terei amado e amo a Deus. Sim meu irmão(a), para esses, vida LONGA, infindável. Tornam-se dignos pela graça. Pelo que semearam no Espírito que neles habita, colheram Graça em bondade para com o próximo. Logo, que se conclui? Sim, esses reconhecem e conhecem o Criador, não O trataram com desprezo, se responsabilizaram no caminho da vida e vivem com a gratidão do serviço e amor.
Os que semeiam para o Espírito são os que não se cansam de fazer o bem, pois viver é fazer o bem. Esses são os que assim se satisfazem. Satisfazem-se, ainda que a colheita não tenha chegado, embora, seja certo que ela virá.
A vida é uma oportunidade de se fazer o bem em amor que faz sem perceber e sem contar; alegria como forma de disposição; em paz para a paz que reconcilia e se mantém; em paciência, pois todos, inclusive nós mesmos, caminhamos em aprendizado; em benignidade sendo a doçura a melhor forma de se tratar o ser humano; em bondade como forma de ser; em fidelidade-compromisso de quem ainda que seja falho, está ali; em mansidão de quem não se deixa ofender, mas exercita-se na misericórdia e compaixão e, em domínio próprio de quem não se entrega aos impulsos do seu ser, tendo sempre em mente, que caso contrário poderá ferir alguém.
Essa é a nossa matriz. Onde está isso senão no Pai e no Espírito, de quem nascemos de novo para a novidade de vida?
Longe de nos autoenganar tratando com desprezo a Deus, antes, declaramos ao nosso interior que se aquiete e veja que o Senhor é Deus, que sua razão existencial Lhe pertence e que em amor se submete a uma longa semeadura pelo chão da Vida, semeando para/no Espírito, em Cristo. Assim se é, não porque está imposto, mas porque se é, como a naturalidade de um ramo que não dá fruto por si mesmo.

No Caminho, procurando semear para Ele,


Wellington Miguel
Discípulo


Esmeraldas, 28 de julho de 2013

13:37h

segunda-feira, 22 de julho de 2013

É PRA COMER. NÃO É PARA CONHECER O CARDÁPIO!



Sem “teologia” e sem “doutrina” de nenhum tipo, a simples leitura do Evangelho nos deixa saber o que é bom para a vida, e como também se deve viver, sem que isto demande nenhuma “explicação” especial àquele que deseja se beneficiar da Boa Nova.

Sim, a Boa Nova não tenta convencer a priori. Ela simplesmente diz: “Me experimente. Se você provar, você saberá que é verdade. Não antes. Não por nenhum outro modo ou meio.”

O convencimento da Boa Nova vem da realização do que é Bom. É simples assim.

Um “evangelho” que seja um pacote de crenças e doutrinas, e uma “embalagem de Deus” segundo algumas teologias, serve muito à criação de um espírito religioso, e que se arroga a ser melhor não por causa do bem que realize, mas em razão da suposta superioridade dos valores de conduta apregoados.

“Eu vim para que tenham vida; e vida em abundância”—jamais poderá ser substituído por “Eu vim para que vocês fiquem sabendo qual é o conjunto da verdade, e, assim, sejam superiores aos demais homens ignorantes”.

O único modo de aferição da verdade do Evangelho só acontece na vida, não porque alguém ganhou uma discussão teológica contra um herege, mas sim pelo resultado da existência, se é plena de vida, conforme a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo.

Desse modo, o Evangelho não tenta explicar nada, mas convida a uma confiança que é fruto de se ter tido um toque da Graça, e que se transforma numa atração, e que se entrega como rendição, gerando a resposta do “seguir” a Jesus.

Assim, aquele que se entrega a Jesus não recebe um pacote de explicações, mas sim aceita seguir porque foi convencido pela experiência do bem do Evangelho, e que tocou o indivíduo de alguma forma, fazendo-o provar que “o Senhor é bom”.

Portanto, tal pessoa não fica preocupada em “entender Deus”. Sua felicidade está em que Deus a entende. Assim, ela caminha sem querer saber o que Deus está planejando, mas apenas o que Jesus propõe como caminho. E, para ela, cada coisa não é passível de uma explicação, mas sim de uma resposta própria. Desse modo, se impotente, ela ora; se abastada, ela agradece; se visitada pela calamidade, ela confia no bem oculto no amor de Deus; se é objeto de perseguição, ela exulta; se milagres acontecem, ela se alegra; se não acontecem, ela se entrega ao milagre da confiança...

Enfim, tal pessoa, aprende o “como”, não o “porquê” das coisas. Aliás, ela até poderá aprender o “porquê” desde que, antes, tenha a coragem, em fé, de viver conforme o “como” do Evangelho.

É o “como” do Evangelho que explica o seu “porquê” — isto quando explica. E, normalmente, a “explicação” nunca é “lógica pela lógica”, mas sim algo que se experimenta como bem interior, inexplicável, e que convence o coração acerca da verdade pela paz que promove no interior, e, cujos frutos se manifestam como “modo” de caminhar.

Não é à toa que Paulo diz que é a “bondade de Deus que conduz ao arrependimento”. Sim, no Evangelho, tudo o que se estabelece como genuíno e duradouro decorre da experiência da bondade de Deus.

É, portanto, a experiência de Deus como bem para o ser aquilo que muda a mente, que provoca a metanoia, que gera o arrependimento — a mudança da mente, e, por conseguinte, de caminho.

Como eu disse no início, o Evangelho não oferece explicações, mas diz como se deve viver. E é desse “como”, que não é um manual de condutas, mas sim um modo de ver, de ser, de valorizar, de desvalorizar, de reagir, de agir conforme princípios e de enfrentar a existência—que vem o crescimento da fé.

Por isto é que no Evangelho as coisas caminham de fé em fé; assim como também crescem de experiência em experiência (Rm 5:1-5). E no final não se fica entendendo tudo, mas se experimenta o amor de Deus, e que traz consigo uma esperança que não nos deixa jamais confusos acerca de nada, muito menos acerca das tribulações e dos absurdos da existência.

Somente aquele que se abandona e pratica o Evangelho em fé, e conforme toda a confiança é que experimenta a Verdade conforme Jesus; visto que a Verdade só se faz verdade para o indivíduo, se for por ele provada, conforme Jesus (João 7: 17).

Daí o escritor de Hebreus advertir quanto a se “ter provado os poderes do mundo vindouro” e ter deixado para trás o que se sabe por experiência do coração, conforme a experiência da Graça.

O grande mal que se pode fazer a si mesmo, segundo o Evangelho —e sem explicações doutrinário-teológicas— é experimentar o seu bem, e, depois, trocá-lo pela religião das normas, mas que não produz bem real a vida; antes pelo contrário, seca-a dos bens originais e dá a ela a presunção da verdade na forma de religião. Aliás, esse é o espírito inteiro da Carta aos Hebreus.

A “Queda” se consumou na experiência, não na especulação acerca da verdade ou da mentira, do bem ou do mal. “Tomou do fruto e comeu”—é o que se diz. Assim foi com o primeiro Adão, e, muito mais, é assim concernentemente ao segundo Adão: Jesus. “Quem comer tem a vida...quem de mim se alimenta, por mim viverá...”

Ora, assim como o pecado se fez consumar pela experiência, assim também o bem do Evangelho se faz conhecer pela experiência da fé, e que dá acesso ao fruto da Árvore da Vida.

“Tomai e comei!” — é assim no Evangelho.


Caio

Brasília

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A REALIZAÇÃO NA CONTRAMÃO EXISTÊNCIAL


 

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que lhes façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois está é a Lei e os Profetas” – Mt 7.12

                A Palavra é praticamente uma proposta de contramão existencial. Ou melhor, a existência se desconverteu de seu fluxo natural, sendo, portanto, acrítica em relação a si mesmo conforme o Evangelho que diz que assim é “estar nas trevas e andar nas trevas; não se sabe para onde vai, porque as trevas o cegaram”.

                A sociedade moderna-tecnológica, de modo geral, segue hasteando sua bandeira consumista e hedonista, posto que por essas vias, se definem o realizar. Entretanto, quem assim procede nem se dá conta de que, todavia, por estas vias, não se chega ao seu ideal: felicidade. Pois, ela, a felicidade, não se vende pela via da paranoia moderna. A nobreza com que ela é não se reduz a essa baixa escala. Em sua nobreza, não se dispõe a poucos ou alguma elite ou grupo. Sua nobreza é caracterizada por outras vias pelas quais ela se dá e, na verdade, ela não se dá, antes, ela é cultivada no chão do ser e em cada ser humano. Portanto, não a encontramos fora de nós.

                A Palavra, porém, em sua liberdade e graça, aponta esse caminho, aliás, em suma, ela simplifica todo o universo de sua grandeza. Ela diz que o cumprimento da Lei e dos Profetas, ou seja, a compreensão de tudo o que Palavra pormenoriza e explica repetidas vezes é que toda a realização humana se dá quando me proponho, em tudo, realizar o outro. Fazer aos outros o que queremos que se nos façam. Duro é esse discurso. E por quê? Porque estamos condicionados a outras coisas: sermos servidos, sermos reconhecidos, sermos admirados, sermos lisonjeados, sermos recompensados. Não é no simples serviço e bem do outro, mas nos serviço a mim e o bem a mim. Posso até fazer pelo outro, mas isso tem que ter mão dupla. E, num contexto antropocêntrico como o nosso isso é como encontrar grão de arroz perdido na areia do mar.

                O convite da Palavra é sermos como o Pai. Olhe pra Ele. Veja como ele trata a humanidade. O sol e chuva são para todos, o pão chega a mesa de todos (embora muitos são privados da abundancia em função da desigualdade social). 

Então, me realizo não quando é feito por mim, mas quando faço pelo outro, esta é a Lei e os profetas.

“Assim”, quer dizer da mesma forma, ou seja, o Pai dá boas coisas aos seus filhos que embora sejam maus, assim e da mesma forma, devo fazer, ainda que o outro não o faça por mim. Então, o meu fazer não está condicionado ao merecimento do outro, mas o simplesmente fazer pela simples razão de ser bom, posto que, ser bom, deva ser a forma como eu vivo. Esta é a Lei e os profetas. E faço porque, assim sendo, realizo o cumprimento de toda a exigência da Lei e dos profetas: SER BOM.

E, bondade incondicional, é aquela que faz sem considerar merecimentos, isso nada mais é do que a manifestação do amor. Pois, assim se lê no Evangelho “de que o amor não pratica o mal contra o PRÓXIMO”. Portanto, o AMOR É O CUMPRIMENTO da Lei. A Lei com todas as suas santas revindicações nada mais é do que a bondade-amor nutrida e concreta no outro em quem assim é feito. Logo, “não adulterarás”, não é o não simplesmente olhar sensual com que olho o outro (a), mas, inclusive, ser bom no cumprimento de todos os meus deveres-serviços conjugais. Posto que, se meu olhar torna-se um olhar sensual, vejo que não manifesto bondade-amor para com quem estou comprometido em afeto e sexualidade intensa e fiel. Possivelmente, sou daquele que não está fazendo o que gostaria que se estivesse sendo feito a mim. Na passividade estou e nela fico, esquecendo que, realizo-me no fazer, embora não o seja feito a mim.

Esse exemplo é citado, tendo vista que, ele como tantos outros casos os são citados antes desse texto no qual estamos refletindo. Assim, se fala daquele que assassina através das ofensas e do desprezo, sendo que, na verdade, devo bendizer e pronunciar em meus lábios somente o que for útil para edificar (Mt 5.21-26); dos que se divorciam sem razões legais expondo o conjugue as vulnerabilidades da promiscuidade (Mt 5.27-30), visto que a preservação do casamento preserva o outro (a); dos que não se garantem em sua palavra e que apelam para coisas sagradas para se garantir (Mt 5.33-36), tendo em visto que, a construção do caráter e da confiança deve proceder no simples sim, sim e não não; dos que se pretendem pagar com a mesma moeda, sendo que a proposta do evangelho é entregar a cara pra apanhar (Mt 5.38-42), dos que alimentam a inimizade e a reafirmam, posto que segundo Jesus deve-se perdoar a tudo e a todos e ainda dispor-se ser o próximo dele em sua necessidade (Mt 5.43-48); dos que se autopromovem e se alardeiam naquilo que nada mais é do que um dever do bondoso-amoroso humano, esquecendo-se que, aqueles que assim procedem já receberam a sua recompensa que não passará de aplausos e lisonjas de homens (Mt 6.1-4); dos que procuram impressionar em sua vazia espiritualidade que não passa mais do que uma teatralização daquilo que, quando é feito com verdade, é feito de portas fechadas (Mt 6.5-8); dos que tem aparência de piedade, mas negam o poder (Mt 6.16-18); dos que não compreenderam o objetivo da riqueza que quando adquirida deve ser repartida no socorro do que não foi favorecido, mas que será por este, sendo este o verdadeiro ato de acumular riqueza Mt 6.19-24; dos que em sua ansiedade, vivem num desconforto da desconfiança, desprezando assim, a ativa presença dAquele que está comprometido com a irracionalidade confiança dos pássaros (Mt 6.25-34); daquele que ao invés de se enxergar, quer enxergar o outro, sendo que dessa forma nunca enxergará o alheio, sendo que para se ver o outro preciso antes ver a mim mesmo, pois, vendo a mim verei o outro como eu, alguém que é digno de misericórdia e acolhimento e não de pedras (Mt 7.1-5); dos que não percebem que a bondade de Deus não é comprada por supostos merecimentos, mas doada livremente a todos, porque Ele é bom e fará, obviamente e graças a Ele por isso, não segundo pensamos, mas segundo o que lhe aprouver, de modo que, isso será “as boas coisas” que Ele dá aos que lhe pedem (Mt 7.7-11)

Logo, fazer ao outro o que quero que se faça por mim, é portanto, ser bom. Visto que “somos criação de Deus realizada em Cristo para a prática de BOAS OBRAS, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” – Ef 2.10. Por essa razão é preciso se desconverter do desconvertido fluxo deste mundo e assim vivermos em novidade de vida como que numa via de contramão,  mas que vai para o rumo certo.

Escrevendo pelas simples razão de promover o bem a alguém,


Wellington Miguel
Discípulo

Esmeraldas, 12 de Julho de 2013

05:41h

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CANSEI DE PREGAR PARA A “igreja”


Parece que estamos em mundos diferentes. Perplexo vou ficando. O simples e puro Evangelho parece insuficiente para esta “igreja”. Então, cansei...

Cansei, posto que, se o puro e simples Evangelho, onde não há barganhas a fazer, é “insuficiente”, não há nada que se possa fazer.

Sim, quero sair dessa confinação e sofrimentos desnecessários.

Pois, se sofre com prazer, é por causas justas e, com isso não me refiro a idolatria de números, pois números nem sempre indicam qualidade.

Sim, cansei de pregar pra gente que só contribui para as necessidades do Reino e sua missão se o “negócio” for bom pra ela. É o “maldito toma lá dá cá”. São vítimas do “mercado da fé”. A Graça não tem graça.

Cansei da religiosidade vazia de obras, as quais evidenciam a verdadeira fé, posto que, se mostra fé pelas obras.

Cansei das tapinhas nos ombros e as indiferenças tentando se abraçar diante das necessidades do Reino.

Cansei de olhares que apenas olham e que se auto-enganam negando a mão que podia se estender.

Cansei...

Cansei...

Cansei...

Cansei como o apóstolo Paulo que se cansou de pregar aos judeus em suas sinagogas. Eram pretensiosos, senhores das barganhas, exclusivistas, cheios de tradições, convenientes, endurecidos, mesquinhos. Paulo se cansou, entretanto, redirecionou-se, agora se voltaria a outro povo, a outro lugar de congregação: o mundo, as ruas, as praias, as praças, enfim, o caminho.

Cansei amigos, da hipocrisia descarada e dos lábios que declaram qualquer palavra de adoração, mas que ao mesmo tempo denunciam sua falsidade.

Cansei de toda forma de piedade que nega o poder, o poder que se propõe a servir e amar.

Cansei de toda forma e traço religioso. É horrível ver que o Evangelho é identificado assim.

Cansei de quem olha só pra si...

Cansei de ver a indiferença e descaso que se faz do Evangelho genuíno, por meio do qual se conhece realmente a Deus.

Cansei de gente que só olha de longe, e por desconhecerem o que é obra de Deus, falam de coisas que não conhecem. Não passam de idólatras de movimentos, de números, de ambientes e de tecnicidades. Não conhecem o caminho da misericórdia, da simplicidade, do companheirismo e do amor. São amantes de coisas prontas. Cansei desses...

Cansei de gente que acha que a obra de Deus está confinada em templo. Sal meu irmão, é fora do saleiro. Então, saiamos, pois a Ele FORA do arraial, levando o seu vitupério – Hb 13.13

Então, para quem pregarei? Para quem nunca se deve deixar de pregar, o mundo. Assim foi dito pelo Mestre: “Indo por todo MUNDO, pregai o evangelho a TODA criatura” – Mc 16.15

Por todo o MUNDO e pelo CAMINHO. Sim, não faltará a quem se pregue.

Pregar o Evangelho da Graça de Deus realizada em Cristo Jesus em favor de todos os homens. Disso não estou cansado. Não me cansarei jamais, mesmo que um dia o meu corpo não corresponda às coordenações do meu cérebro, ainda imóvel e sem falar, pregarei. Pois, não vejo outra razão porque existo, senão para pregar a BOA PALAVRA DE DEUS aos moradores da Terra.

Oh Senhor! Renova as nossas forças, pois é assim que Tu fazes aos que esperam em Ti...

De quem, embora cansado, mas no Caminho caminha,


Wellington Miguel
Discípulo



Esmeraldas, 10 de julho de 2013

23:30h

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O EVANGELHO E SUA PROPOSTA NADA RELIGIOSA



O aparente “crescimento” da chamada “igreja” evangélica, infelizmente nada tem haver com o que se propõe o Evangelho. E, em função da extensão dessa temática, limito-me a escrever sobre o fato de que é um reducionismo assim qualificar o Evangelho a pretensão de ser uma religião. Sim, “o Evangelho não está em disputa com as religiões do mundo e nem tampouco pretende ser uma delas” - Caio Fábio.
É justamente na concepção de que o Evangelho é uma religião que se propõe, é que se fragmenta cada vez mais e suas inúmeras denominações vão surgindo em defesa de seus inegociáveis “dogmas”. A verdade é que essa fragmentação nada tem haver com crescimento e sim decrescimento-enfraquecimento da presença do povo de Deus na terra. Além disso, o espírito competitivo de mercado adentrou a consciência dessa suposta “igreja” de modo que exala ao ar o fétido cheiro de um arrebanhamento meramente local e para si, como se o Reino estive confinado ali. Então, temos aqui o reducionismo que se faz do Reino sendo que, na verdade, este Reino abarca todo o universo visível e invisível que inclusive inclui a nosso planetinha.
Bom eram os tempos de Jesus e dos primeiros discípulos. Eles se identificavam simplesmente dizendo: “ somos da Igreja que está em Colossos, ou em Éfeso, ou em Filipos, etc.”.  Não havia preocupações com templos adornados e nem se media o sucesso dela pelos seus prédios, pois, inclusive, essa expressão sucesso (com sua conotação atual) nem era empregada, antes, o que se empregara era a expressão FIDELIDADE.
Infelizmente, o que a Reforma prenunciava ficou por ali mesmo, SOLA SCRIPTURA. Se essa pérola tivesse sido tirada do terreno de onde foi reencontrada a “igreja” teria de todo se libertado. Mas ao reencontrá-la a mantiveram lá, no terreno da religiosidade e preso nas raízes de seus incansáveis “dogmas”.
O Evangelho, antes, é uma pessoa. O Evangelho antes é a Palavra que estava com Deus, aliás, a Palavra é Deus. Já é possível notar o quão descaracterizado está o chamado Cristianismo, que nada mais é, do que um “ismo” entre tantos outros que existem em função dos seus “ismos” viciados e supostamente pautados no Evangelho. Sendo Palavra-Pessoa, logo é Vida. Quem afirma isso é o apóstolo João quando diz que “ a Vida se manifestou; nós a VIMOS e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a Vida Eterna, que estava com o Pai e nos foi MANIFESTADA”. Este é Jesus, cujo nome é PALAVRA DE DEUS – Ap 19.13
Vida é fluxo, é dinâmica, é experiência relacional, é trajetória existencial, é movimento. Quando digo que o Evangelho como religião é um reducionismo, o digo em razão da grandeza e da dinâmica com que é em relação a pequenez forma religiosa da religião. Religião se diz daquela que se dá na frequência de suas reuniões; seus ritos, formas, modos e modas com que assim dizem está em relação com Sagrado, de sua pretensa postura de juíza dos homens, de sua mera observância em relação aos seus costumes e tradições, de suas ameaças sobre aqueles que não cumprirem seus “mandamentos-verdades”, de sua doentia arte de incentivo na relação com Sagrado através de barganhas, de sua semelhança catolicista com altares sacerdotais, de seu medo de falar a verdade e dá ao povo o que é de direito: LIBERDADE orientada pela consciência na VERDADE do Evangelho-VIDA.  Inclusive, hoje, estranho e suspeito é falar a verdade, correndo-se o risco de ser tachado de herege e queimado em praça pública pelo fogo da língua dos fariseus dos nossos tempos.
Então, o que se propõe o Evangelho. Ora, propõe o que lhe é peculiar e natural, a VIDA. A vida com todo o seu olhar livre e limpo. A vida que se dissolve como sal na terra dos relacionamentos e assim, dissolvendo-se, ganha significado para aquele em que se nos dissolvemos. A vida como luz-referência diante dos homens, sendo que esse brilho redirecionará o olhar para o Pai, o digno das glórias rendidas. A vida com toda a sua capacidade de tão somente discernir o que é bom e assim viver. A vida com toda a sua ambiguidade e paradoxo, entretanto, com alegria e gratidão. A vida com toda a sua coletividade cultural e habitual entre os humanos. A vida com toda a sua natureza criada para admiração e preservação. A vida com todo o direito de compreender que só vale a pena viver, se for a serviço ao próximo. A vida livre a tal ponto de se ser capaz de discernir o indiscernível nas dinâmicas da existência. A vida onde o amor não é o confuso amor confundido no pecado, mas o amor como naturalidade dos movimentos do ser de quem nasceu do alto, nasceu dAquele, Deus, o próprio Amor e que faz de nós também, pessoa-amor, de modo que, tal obra torna-se inseparável daquele, em quem, assim é feito.
Assim sendo, nossos ajuntamentos, tornam-se num encontro livre e dinâmico de pessoas que irão dar continuidade ao culto que nunca termina e que ali, será em unidade e  comunhão, ou seja, o simples prazer de se desfrutar da presença uns dos outros e acima de tudo encontrarem-se em torno do NOME e de sua genuína Palavra. Simples assim e, assim é o Evangelho, posto que o Evangelho se fez carne para que não se o reduzisse a tecnicidade, nem sistemas de ritos, nem em dogmas, nem em meras estruturas teológicas sistêmicas, nem em tradições de nenhuma forma de “fé”, mas unicamente e tão somente em vida e espírito, pois o próprio Evangelho-Carne disse em sua Palavras: “as minhas Palavras são espírito e vida”.
Dessa forma, enviado pelo Pai, Ele, Jesus, também nos envia para sermos o EVANGELHO em carne-modo-vida.
Na busca pela razão da Encarnação do Verbo,

Wellington Miguel
Discípulo



Esmeraldas, 28 de Junho de 2013

11:30h

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O ESTÁ casado e o SER casado



O “está” casado nada mais é que apenas está. Este sujeito, é alguém que, embora sendo fiel conjugalmente falando, é um infiel quanto ao caminhar do casamento, pois, casamento abrange muito mais do que o “não pular a cerca”. O “está” casado é alguém que se estagna, que não atenta para o universo que abarca o relacionamento. É alguém que não se apercebe dos detalhes e que vive justificando irresponsabilidades com o “sou macho”, o que pra mim é um machucado, ou ainda, aquela que se inunda nas ocupações encarando isso como um fator de importância sendo que isso é complementar e, que a melhor parte é a presença da afetividade e o se apresentar disposta. É um (a) idiota que, assim como a referida palavra diz, nada sabe e nem procura saber.

Toda a vida se segue, e segue bem, quando assim se segue segundo os princípios naturais para as quais a vida foi feita. E, quando me refiro a princípios naturais, me refiro aos princípios que foram estabelecidos desde a origem da vida com suas inúmeras ramificações: a família, o casamento, o criar filhos, o conviver em sociedade, o ocupar do trabalho, o adquirir e o vender, etc. Logo, o “está” casado, nada mais é alguém que desconhece os princípios que orientam o casamento. São princípios eternos, que além de terem sido estabelecidos para a relação conjugal, são eternos, pois são observáveis na relação do Deus triuno, e esse, eterno.

Assim, esse “está”, dificultará a fluência com que precisa fluir o relacionamento conjugal. Dificultará o crescer, com que precisa crescer o relacionamento. Isso se perceberá nas mais diversas sinalizações que se emergirá no cotidiano. Inúmeras queixas, comportamentos incomuns, descomprometimentos nos deveres, omissões e dezenas de outras situações tomará o cenário daquilo que a princípio “começou bem”. O “está” casado, nada é além do que, o não conhecer, o não saber, o não viver, os princípios normativos do casamento.

Normas essas que não devem ser observadas de forma arbitrária e imposta, mas num espírito de amor com que se pretende relacionar e visar o bem comum. Não é um pesar do fazer, mas uma liberdade e leveza no fazer.

E assim, começa-se a compreender o SER casado (a). Essa liberdade e leveza no fazer decorrem do coração que não meramente conhece os princípios que regem a conjugalidade, mas é o coração no qual se adentrou tais princípios, e que, enfim, tem a totalidade do seu ser simplesmente tomado por essa Graça que faz, sem perceber, por fazer com naturalidade e vida.

Faz, porque, além de ter sua consciência encharcada das verdades sobre casamento, seu alvo não é ser feliz, mas fazer o outro (a) feliz. A realização visa o outro, o bem estar do outro, ou seja, o meu satisfazer é o (a) tornar satisfeito/realizado (a). Por isso se diz na Palavra do Evangelho: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas” – Mt 7.12

Por essa Palavra também, confronta-se toda postura passiva ante o relacionamento. Em razão de nossas prioridades e orgulho, ficamos do outro lado aguardando, esperando o que devia ser feito por mim, se é que tenho alguma razão. A razão precisa ser dada é a Deus. É a Ele e a sua Palavra que devemos dar razão. Que nossas infantilizadas razões sejam subestimadas em razão da razão de Deus a qual se deve dá razão. NEle está a razão que nada mais é o próprio princípio regulamentador e vivificador das relações conjugais.

O SER casado é esse que dá razão a Deus e, a essa razão, submete a sua consciência no Caminho. No Caminho que fez o caminho dos relacionamentos. E aqueles que caminham se orientam e sabem para onde estão indo.

O SER casado é alguém que não muda, embora esteja sempre mudando. Não muda porque encontrou o Caminho dos princípios e ali se enraizou, porém muda, porque deixou de dar razões a si e agora suas razões são as eternas razões de Deus em sua Palavra que o transforma para aquilo que de Deus é bom.
E você, vêm!?

Em Cristo, a Razão das existências da Existência,

Wellington Miguel

Esmeraldas, 17 de maio de 2013
22:51h