DEUS NÃO É TRATADO COM DESPREZO...
...pois, o que o homem
semear isso colherá - Gl 6.7-9
Apesar de toda
forma de engano presente no sistema, a maior fonte de engano na existência é o autoengano.
Sim, somos atropelados pelas exigências do nosso tempo e, em cada tempo e
geração há as suas exigências e pressupostos que são estabelecidos a partir dos
quais somos definidos como “alguém”. Sendo que ser “alguém” não se é
determinado pela estrutura social, econômica, política, moda, etc., mas sim
pela matriz da qual nos originamos. Essa matriz é Deus. A partir dEle o meu
“alguém” se reconhece, se encontra, se é. Note que, quando o nosso “alguém”
procura se determinar a partir de qualquer outra matriz, seja ela determinada
pela política, economia, cultura, moda, religião, etc., nunca nos percebemos
numa contínua satisfação. Insaciáveis, vamos conectando-nos as inúmeras outras
alternativas, numa paranoia busca pelo nosso “alguém”. Esse é um tipo de
engano, vem de fora. Então, não se deixem enganar...
Na verdade
essa busca paranoica se dá, não em função do não saber de Deus, pois de Deus se
sabe, não porque Ele é anunciado pelas religiões, pelos amigos, pela família,
mas porque o nosso próprio ser O reconhece. A Palavra diz que as “exigências da
Lei de Deus estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua
consciência e os pensamentos...” (Rm 2.14-16). O que se evidencia no ser humano
é um autoengano que se apropria do engano. O que isso quer dizer? Quer dizer
que mesmo reconhecendo Deus, opto por não fazer caso dEle. É um auto engano,
vem de dentro. É o que Paulo está dizendo em Gl 6.7: “Não se deixem enganar (desviar da verdade): de Deus não se zomba
(tratar com desprezo)”.
Quem
se auto engana (que vem de dentro), acaba-se por apetitar nos pratos do engano
que vem de fora, uma vez que se auto enganou, na verdade, desprezando aquele de
quem ele é derivado.
Dessa
forma, desprezando o Totalmente Outro, todo o seu pendor, ou seja, sua
inclinação, dar-se-á para a “carne”. Dar-se-á para a insaciabilidade vontade de
sua natureza humana caída. Embriagar-se-á do “vinho” que leva a dissolução,
simplesmente se acabando no desequilíbrio de sua estupidez. Diria Paulo que
isso é semear para a carne. Sua inevitável colheita será a destruição (ruína).
A complexa
natureza humana foi criada para viver em prazer. Quando esse deleite é
satisfeito naquilo que é Pão para ela, então se aquieta. Quando não se satisfaz
no que não é pão, então repetidas doses se “tornam necessárias” criando um
ciclo vicioso viciado de se ser.
Deus não se
propõe. Ele não é uma alternativa na existência. Ele é a origem. Necessário.
Qualquer postura diferente a isso é desprezo a Deus e entrega a si mesmo. Na
verdade, não existe o não optar por Deus, mas o rebelar-se, o enganar-se. Assim,
viver é um ato de semeadura. A forma como determinamos viver, isso será a forma
como semeamos no caminho da vida.
Quem semeia
para a sua carne, colherá destruição, diz o apóstolo. Sim, o que semeia para a
carne já desprezou o Criador, e por consequência, já se auto desprezou e haverá
de desprezar o seu próximo. Semeando para a “carne”, vai alimentando-a para a
loucura de uma vida sem consciência de amor, misericórdia e bondade. Posto que,
as obras da carne, ou seja, seus feitos nada mais são do que, transtorna-me e
transtornar o outro. Por exemplo, na imoralidade sexual (gr. pronéia), além de
pecar contra o meu próprio corpo estou lesando o do outro, além dos transtornos
emocionais que se desencadeiam – Gl 5.19I Ts 4.3-6.
É uma
semeadura destrutiva. Traz fins danosos para quem não se arrepende, podendo até
comprometer sua eternidade, pois quem assim vive, também despreza a perenidade
da vida.
Porém, a quem
semeia para o Espírito, colherá vida eterna. Ora, quem semeia para/no Espírito
haverá de colher o que dEle frutifica: o amor e suas derivadas ações. Visto
que, do amor como caráter formado-implatado no ser, o ser se será santo, pois o
amor não prática o mal contra o próximo. Portanto, amando o próximo,
obviamente, já terei amado e amo a Deus. Sim meu irmão(a), para esses, vida
LONGA, infindável. Tornam-se dignos pela graça. Pelo que semearam no Espírito
que neles habita, colheram Graça em bondade para com o próximo. Logo, que se
conclui? Sim, esses reconhecem e conhecem o Criador, não O trataram com
desprezo, se responsabilizaram no caminho da vida e vivem com a gratidão do
serviço e amor.
Os que semeiam
para o Espírito são os que não se cansam de fazer o bem, pois viver é fazer o
bem. Esses são os que assim se satisfazem. Satisfazem-se, ainda que a colheita
não tenha chegado, embora, seja certo que ela virá.
A vida é uma
oportunidade de se fazer o bem em amor que faz sem perceber e sem contar;
alegria como forma de disposição; em paz para a paz que reconcilia e se mantém;
em paciência, pois todos, inclusive nós mesmos, caminhamos em aprendizado; em
benignidade sendo a doçura a melhor forma de se tratar o ser humano; em bondade
como forma de ser; em fidelidade-compromisso de quem ainda que seja falho, está
ali; em mansidão de quem não se deixa ofender, mas exercita-se na misericórdia
e compaixão e, em domínio próprio de quem não se entrega aos impulsos do seu
ser, tendo sempre em mente, que caso contrário poderá ferir alguém.
Essa é a nossa
matriz. Onde está isso senão no Pai e no Espírito, de quem nascemos de novo
para a novidade de vida?
Longe de nos
autoenganar tratando com desprezo a Deus, antes, declaramos ao nosso interior
que se aquiete e veja que o Senhor é Deus, que sua razão existencial Lhe
pertence e que em amor se submete a uma longa semeadura pelo chão da Vida,
semeando para/no Espírito, em Cristo. Assim se é, não porque está imposto, mas
porque se é, como a naturalidade de um ramo que não dá fruto por si mesmo.
No Caminho,
procurando semear para Ele,
Wellington Miguel
Discípulo
Esmeraldas, 28 de julho de 2013
13:37h