Numa sociedade marcada pela urgência, o famoso “tô correndo atrás depois te ligo”; a paranóia do consumismo, a centralidade do “eu”, a supervalorização do corpo, vem minando a riqueza da verdadeira e profunda amizade. Quando procuramos por alguém, normalmente é porque precisamos de algo.
O “ter” tornou-se o modo de vida mais importante do
que o “ser”. Estamos vivendo um tempo em que a sociedade está amando coisas e
usando pessoas. O mesmo está se dando na fé cristã. Pessoas se utilizam de
Deus, se é que o podem. Fazem de Deus o seu servo. Se esquecem ou nunca se
interessaram em compreender que a oração é um lugar, antes, de comunhão
(intimidade). Pessoas vão à Igreja, porém com motivações estranhas. O culto é
um ambiente onde o principal propósito é oferecer, porém muitos vão para
requerer.
Nossos relacionamentos familiares também sofrem
dessa crise. Em muitos lares, o diálogo limita-se a solicitação de favores e
deveres. Não há afetividade entre conjugues nem entre pais e filhos. Quando se
aproximam é para fazer cobranças.
Pense. Quanto tempo você gasta num diálogo
descontraído com a família, no ouvir o relatório do dia dos filhos e do
conjugue? Quanto tempo gastam orando em família, se é que se lembram disso pelo
menos nas refeições? E as histórias de famílias, as histórias bíblicas,
assuntos profundos que falam do ‘ser’ e menos de coisas. E os diálogos que se
importam com o bem estar do outro.
Certo dia, estava me preparando para viajar.
Com pressa, ali lavava o carro quando de repente fui surpreendido por um homem
que vivia nas ruas embriagado. Eu pensei: “Agora não!”. Mas notei em seus olhos
uma necessidade de receber atenção. Então, abandonei a esponja, desliguei a
água e lá iniciamos um longo diálogo sobre o plano que Deus tinha para ele, de
lhe transformar e salvar. Minha viajem? Obviamente atrasou! Mas aquele homem,
dias depois veio a mim e disse: “quero servir ao Senhor com vc em sua Igreja”.
Compreendi e aprendi o valor de um tempo bem investido.
Meus amigos, talvez seja estranho o que vou lhes
dizer, mas que tal pararmos? Repensar nossa filosofia de vida, o que realmente
vale a pena, quais são os valores de vida que adotamos. Parar e observar nosso
(a) esposo (a) que há muito tempo gostaria de viver momentos de exclusividade
com vc e essa correria e distração não o permitiu ver. Parar e observar o quão
distantes estamos de uma verdadeira comunhão com Deus e de sua igreja. Agendar
visitas a um amigo (a), não para lhe pedir favores e outros, mas para cuidar,
encorajar, auxiliar.
Não posso parar. Talvez vc esteja pensando nisso.
Mas, vc um dia vai parar, não sei de que forma, mas vai. A própria vida vai
fazer isso. Por quê? Porque ela clama pela profundidade, pela qualidade de
tempo, pela atenção, pela oração. Veja isso em vc mesmo...
Há muitas coisas que gostaria de tratar, mas não
quero ser enfadonho. Fico por aqui, numa expectativa de ajudar de alguma forma
e despertamos da sonolência dos nossos tempos e assim vivermos para a glória de
Deus.
Forte abraço!
Wellington Miguel
Wellington Miguel
Esmeraldas, 24 de abril de 2012
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